Relógio De Botequim

E porque o Fado é sempre um bom ponto de partida, aqui vai a primeira publicação. Uma letra, sem melodia inventada a acompanhar.

Fala do amor de um homem por uma messalina (ah, valha-nos o José Eduardo Agualusa para nos ensinar palavras mais bonitas para as coisas).

*

Quando bater a meia-noite

No relógio do botequim

Não te esqueças, meu amor

Que pertences só a mim


Dá-lhes beijos mentirosos

Quando em ti fazem pousio

Que nas nossas horas mortas

É quando eu mais te aprecio


 E se trazes ‘inda o perfume

Daqueles que, a soldo, te amam

Não ligues, que eu não morro

São os meus olhos que enganam


 Por isso, amor, vai lembrando

A cada travo de saudade

Que o amor que vais fingindo

É em nós amor de verdade


 Eu hei-de chegar enfim

Ao bater das zero horas

Que o relógio do botequim

Não se atrasa, nem demora


 Até lá, nas horas mortas,

Outros mais hão-de te amar

E eu, pela vida fora,

Espero a meia-noite chegar

*

Carina Pereira

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One thought on “Relógio De Botequim

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