Lavadeira

Eu avisei que, retornada de férias, aí vinha Fado. Depois do Relógio de Botequim, aqui fica mais uma letra. Outra vez, sem melodia, porque a minha tocadeira de viola dá para muito pouco. Novamente, na voz de um homem, sei eu lá porquê!

*

De manhã quando endireito

A lapela do casaco

Imagino as mãos dela

A pousarem-me no peito

A fazerem o que eu faço


Lavadeira de olhos negros

Canta baixinho e sorri

E eu dou por mim pensando

Que seria se soubesses

O quanto eu gosto de ti


Passa sempre de mansinho

Trauteando uma canção

E enquanto ela vai passando

Eu vou olhando e sonhando,

Porque a amo sem razão


Quantas vezes fui ao rio

As minhas saudades matar

Mas ao ver-te tão bonita

Queixo erguido, mão na cinta,

Só as consigo aumentar


Quem sabe um destes dias

Quando fizer mais calor

Eu te leve roupas minhas

E, já que não adivinhas,

Te fale do nosso amor


Minha mulher lavadeira

Fitando as negras pedras

Não vês que neste chão

Mora quem tanto te adora

E que importa, essa agora,

Que eu te ame sem razão

*

Carina Pereira

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s