Blogazine | Junho 2017

A Blogazine deste mês já chegou às bancas! A história de capa é a entrevista à Catarina Beato, bloguer de Dias De Uma Princesa, mas há muito mais a descobrir nesta edição.

Da minha parte há, como habitualmente, uma resenha com a colaboração da Chiado e levo-vos também numa visita ao The Globe, o teatro de Shakespeare, em Londres.

Cliquem na imagem abaixo e saibam tudo!

Carina Pereira

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Blogazine | Maio 2017

A Blogazine de Maio já está disponível para leitura nas bancas digitais!

Este mês trago-vos dois artigos; um sobre o museu de Sherlock Holmes, em Londres e outro com a habitual resenha em colaboração com a Chiado Editora.

Vão lá espreitar!

 

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Para terem acesso às edições anteriores e para se manterem sempre a par dos próximos números subscrevam em Blogazine.pt.

Carina Pereira

Estou De Volta!

Este blog foi practicamente – e sem vergonha – abandonado por mim. Não tenho escrito muito, nem me tenho dedicado a escrever nada especificamente para o blog. Mas não se apoquentem, a vida tem continuado igual, eu é que tenho andado muito preguiçosa! São fases, às vezes precisamos de respirar um bocadinho; afinal, é preciso recuar para ganhar balanço e só depois é que podemos ir.

Mas, apesar de tudo, não tenho estado inerte. Continuo a colaborar com a Blogazine, trazendo uma resenha com a colaboração da Chiado Editora a cada mês; faço parte de uma outra revista, a Inominável, onde tenho a liberdade de inventar histórias – há um conto a ser contado aos poucos – e, claro, o Boteco continua de pé!

Agora, gostava de ressuscitar o blog – pelo menos hoje, que acordei com vontade de colocar mãos à obra e está sol.

Por vezes é mais fácil fazer partilha directamente na página do facebook, por isso não se esqueçam de seguir o blog por lá, tem um link algures do vosso lado direito.

Em baixo deixo-vos os links para as últimas edições da Blogazine e da Inominável. Espero que gostem!

Blogazine

Inominável

Carina Pereira

 

Blogazine # 13

A vossa revisa de Julho já está disponível online! Este mês temos entrevista às youtubers Corbyssimas, dicas de Verão e a minha resenha da rubrica Chiado Editora.

Há também a oportunidade de ganhar um livro da Chiado à escolha. vejam na revista como participar!

Não se esqueçam que podem aceder ao site oficial da revista no seguinte link:

http://blogazine.pt

A revista deste mês, no link de baixo!

http://blogazine.pt/corbyssimas

Carina Pereira

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Blogazine #11

Maio traz consigo um número muito especial da Blogazine: a edição comemorativa do primeiro aniversário da revista!

Nesta edição assino dois artigos. O primeiro está associado à rubrica Chiado, com a recensão ao livro Não Me Roubes A Alma, da autora e cantora Inês Santos. o segundo traz-nos a segunda temporada da série da Netflix, Daredevil!

Não se esqueçam que podem receber a revista no vosso e-mail todos os meses, basta subscrever no site oficial, aqui.

Espero que gostem, vamos lá para o segundo aniversário! 😀

http://blogazine.pt/aniversario

Carina Pereira

Blogazine #10

Abril: o mês da liberdade e, como não podia deixar de ser, de mais uma edição da Blogazine!

Este mês escrevi sobre o novo disco da Deolinda, Outras Histórias e tive o prazer de entrevistar o autor Bruno Félix para a rubrica Chiado Editora! Ficam os textos em baixo, para uma melhor leitura, a par com o link da revista, para a lerem na íntegra.

Espero que gostem!

Não se esqueçam também que a revista está a sortear entradas para a Expo Cosmética. Arrisquem!

http://blogazine.pt/nelson-freitas

Carina Pereira


Deolinda: Outras Histórias

Outras Histórias é o mais recente disco dos Deolinda, que contam já com três álbuns de estúdio e um ao vivo no Coliseu dos Recreios. Com entrada direta para número um do top nacional, este Outras Histórias contém quinze faixas, cada uma delas escrita e composta por Pedro da Silva Martins que, não fossem estes quinze temas um feito por si só, ainda contribuiu para seis álbuns que se encontram de momento nos lugares cimeiros do top nacional.

O single de apresentação do disco é Corzinha de Verão, uma sátira ao (mau) tempo, que traduz para a música a máxima constante de que o universo conspira contra nós. Com acordes leves e letra ligeira, fica no ouvido com facilidade.

A vertente de intervenção e crítica ao estado atual do país continua bem presente no tema Bote Furado e as nuances dramaticais da interpretação de Ana Bacalhau assentam em matérias destas que nem uma luva.

É quase um sacrilégio nomear apenas algumas das canções que compõem esta obra e arriscarmo-nos a deixar outras tão boas de fora; são todas demasiado preciosas para se atribuir preferências. A apontar o dedo a alguma em particular, que sejam as que saem daquilo a que já estamos habituados a ouvir pelos Deolinda:  A Velha e o DJ é uma surpresa para aqueles que colocam a música electrónica de parte. Fugindo ao som acústico tão característico da banda, é impossível escutá-la sem bater com um pézinho que seja.

Há amor de sobra – e de verdade – em Manta Para Dois e um belíssimo dueto com Manuel Cruz, dos Ornatos Violeta, em Desavindos e, se o humor nunca pode faltar, Berbicacho, Bom Partido e A Avó Da Maria são uma roda-viva de desencontros e trocadilhos.

Há quem diga que este é o melhor disco dos Deolinda. Não consigo afirmá-lo assim com tanta determinação, por correr o risco de colocar em segundo plano três álbuns anteriores que são uma maravilha e onde, a cada dia, encontro uma nova música preferida porque, no fundo, são-nas todas. Tenho a certeza, isso sim, que sendo o melhor ou não, é uma delícia a saborear sem moderação.

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Entrevista a Bruno Félix

Bruno Félix nasceu em São Sebastião do Paraíso, no Brasil, a 9 de março de 1983. Aos treze anos começou a tocar guitarra clássica, mas aquela que se tornaria a sua verdadeira paixão musical – o Blues – nasceu ao ouvir pela primeira vez um disco de Stevie Ray Vaughn.

Em 2005 formou-se em Direito e foi nessa altura também que a escrita passou a fazer parte dos seus dias.

Com um livro editado pela Chiado Editora, de nome O Busto De Adão e Outras Poesias, Bruno Felix continua a conciliar a escrita com o seu primeiro amor, e a banda Bruno Félix e os Voodoo Kings editou o seu primeiro álbum em 2014, Nothing But The Blues.

O segundo livro está em fase de revisão, e deve chegar às livrarias ainda este ano.

*

Gostava de agradecer em primeiro lugar por ter cedido esta entrevista à Blogazine, e congratulá-lo pelo sucesso do seu primeiro livro, O Busto De Adão E Outras Poesias.

De acordo com a sua biografia, a música foi a paixão que chegou primeiro à sua vida. Sempre se ouviu música lá em casa? Ou foi uma paixão que descobriu sozinho?

A maioria de minhas recordações da infância, nos anos 80, são musicais: cresci ouvindo A Arca de Noé de Vinícius de Moraes. Acho que quando aprendi a falar eu já sabia todas as letras de cor! O rock’n roll abrasileirado de Raul Seixas também marcou muito meu crescimento nessa época. Tenho até hoje em casa uma fita K7 com a gravação de minha voz cantando uma música do Raul. Lembro que meu pai gravava eu cantando e, quando me perguntava o que eu “queria ser quando crescer”, eu respondia: “cantor”.  Mas foi só na adolescência que realmente fui aprender a tocar guitarra. Depois de muito rock, um belo dia fui “pego pelo blues”.

Como é que a escrita passou também a ter lugar na sua arte?

Interessei-me pelos clássicos da literatura mundial desde muito cedo. Quando ingressei na faculdade de Direito, já havia lido algumas obras de Cervantes, Alexandre Dumas, Tolstoi, Dostoiévski, etc. Eu estudava em outra cidade, por isso pegava um ônibus todas as noites. O trajeto demorava cerca de uma hora, o que me dava tempo de ler bastante (lembro que quando saiu o filme O Senhor dos Anéis eu não fui assistir, pois já havia lido os três volumes, o Hobbit e O Silmarillion). Imagino que a leitura sempre foi um convite à escrita. Nesse período em que eu estudava Direito, também vivi um pouco da boemia -costumava levar uma guitarra clássica para a faculdade. Por isso, além do blues, mergulhei também na MPB e foi assim que retomei o gosto pela poesia de maneira definitiva. Alguns poemas do livro O Busto de Adão e Outras Poesias foram escritos nesse período. Guardo comigo até hoje alguns originais rabiscados em cadernos da faculdade, ou datilografados.

Como é que se deu a oportunidade de publicar o livro O Busto De Adão E Outras Poesias, com a chancela da Chiado Editora?

Quando me decidi a digitar e organizar alguns poemas antigos, comecei a experimentar escrever mais, apenas para verificar o resultado, sem pretensão de publicar uma obra. Muitos amigos elogiavam quando algum poema se tornava público, e, cada vez mais eu escrevia. Um dia, minha esposa fez-me uma crítica que soou-me como um desafio. Foi algo como: “Por que você não publica um livro? Fica aí, escrevendo esses poemas… Pra quê?” Então, sem experiência alguma com o meio editorial, reuni todos poemas e enviei a algumas editoras brasileiras. Infelizmente, a maioria delas não se interessa por poesia, pois o mercado é pequeno por aqui. Até então eu não havia escrito o Busto de Adão. Foi por acaso que descobri a coleção “Prazeres Poéticos” da Chiado Editora e pensei: “Ah! Eis uma editora que se interessa por poesias!” Nesse ínterim, passei por um momento traumático em minha vida familiar e estive a ponto de enlouquecer. O que me fez recuperar o equilíbrio emocional e levar minha vida adiante, foi sentar-me à escrivaninha e lapidar o poema “O Busto de Adão”. Quando coloquei o ponto final no poema, a dor já havia passado (muitas vezes, a poesia tem um enorme poder de cura), então retomei o projecto de enviar o livro às editoras. Adivinha qual era a próxima da lista? Gosto de acreditar que ter anexado esse capítulo ao livro garantiu-me passar pelo crivo da editora, que desde o primeiro contacto mostrou-se muito atenciosa com relação à obra.

Numa publicação no seu blog admitiu que o seu próximo projecto era para ter sido algo bastante mais arrojado- um livro de poesia chamado As Prodigiosas Maravilhas do Século XXI – mas acabou por decidir publicar outro livro primeiro. O que nos pode revelar sobre o seu segundo livro e sobre aquele que ficou ainda por terminar?

Meu segundo livro não é de poesias. “A Menina e o Equilibrista – a história de um milagre” é um mergulho rápido em alguns dias da vida de um personagem que… Bem, ainda não escrevemos aquela sinopse que vai impressa na capa do livro… Não sei até onde posso ir (spoiller rsrsrs). Mas é uma história emocionante, de uma jornada de autodescobrimento. Pelo menos, muitas vezes eu me flagrei emocionado ao escrever, o que deve ser um bom sinal. Aliás, diverti-me muito durante os meses em que me dediquei a escrever essa história! Gabriel Garcia Márquez dizia que “se você se aborrece escrevendo, o leitor se aborrece lendo”. Caso tal máxima se aplique aos demais sentidos… Já sobre As Prodigiosas Maravilhas do Século XXI,  será um livro de poemas para ser lido como um bom romance. É uma espécie de “Ópera Rock” em forma de poesia, que narra a viagem de um fidalgo do século XIX pelo espaço/tempo. Não consigo fazer nehuma previsão quanto à publicação, pois não depende apenas de mim… Existem outros poetas colaborando nessa obra, e, nem sempre eles aparecem quando é preciso! Talvez seja meu terceiro livro, talvez o décimo… Nunca se sabe.

 

Qual foi mais desafiante escrever? O Busto De Adão e Outras Poesias ou o que está prestes a ser editado?

O Busto de Adão e Outras Poesias. Pois poesia, para mim, é algo muito íntimo. Pessoa dizia que o “poeta é um fingidor”. Já Klopstock, que “fazer poesia é confessar-se”. Sou um grande adimirador da obra de Pessoa, mas, nesse ponto, concordo com o pensamento do poeta alemão. Já a prosa flui com mais velocidade e o comprometimento sentimental do autor é para com os personagens e a história a ser narrada. Escrevendo prosa, eu sinto que o fluxo de sentimentos é apenas de dentro pra fora. Já a poesia, tem o poder de me causar uma espécie de “choque de retorno”. Poemas são escritos com sentimento, no mesmo fluxo “de dentro para fora”, mas assim que o poema nasce, ganha vida. Por vezes a poesia-viva nos cura, mas em muitos casos esbofeteia o poeta, mostrando-lhe o quão miserável ele é.

E quanto a projectos musicais? Novidades para breve da parte deBruno Félix e os Voodoo Kings?

Sim, há novidades! Gravarei uma nova canção a ser lançada como web single e pretendo voltar aos palcos o quanto antes! Já estou agendando para este mês de março as primeiras sessões no estúdio!

Há alguma data para apresentação do novo livro? Planos para vir a Portugal?

Ainda não há data para o lançamento, só sei que acontecerá no segundo semestre deste ano. E sim, pretendo fazer uma visita a Lisboa para as sessões de lançamento!

 

Blogazine #9

Março traz consigo a promessa de melhor tempo, de dias maiores, e uma das estações mais bonitas do ano. Enquanto a Primavera não chega, a nova edição da Blogazine sai para as bancas digitais, para nos entreter a espera.

Este mês trago mais uma resenha com a chancela da Chiado Editora, do livro O Gato Negro De Tão Preto Que Era, e também a crítica ao disco de Miguel Araújo, Cidade Grande Ao Vivo No Coliseu Do Porto.

Como é já costumeiro fica aqui o link para a revista completa e, em baixo, os dois textos que escrevi, para uma melhor leitura.

A Blogazine oferece a oportunidade de ganharem bilhetes para a Expocosmética, não deixem de participar!

Carina Pereira


Miguel Araújo: Cidade Grande Ao Vivo no Coliseu do Porto

Um ano após o fabuloso concerto com que Miguel Araújo nos agraciou no Coliseu do Porto, surge para venda, numa edição limitada e numerada, todo o registo dessa noite memorável.

O álbum é composto por dois discos e um DVD, dando oportunidade a quem lá não esteve de observar o talento do cantautor, e a quem teve a sorte de fazer parte deste público, a possibilidade de viver este espetáculo novamente no conforto das suas casas. Vinte e uma faixas em pouco mais de duas horas, para nos entretermos e deliciarmos.

A base do concerto foi o disco homónimo, Cidade Grande, e para além de canções como Contamina-me, Dona Laura, ou a tão popular Os Maridos das Outras,  houve ainda muitos momentos dignos de referência nessa noite, e várias participações especiais. Inês Viterbo acompanhou Miguel Araújo em Balada Astral, António Zambujo emprestou a sua voz a Romaria Das Festas De Santa Eufémia e Pica do Sete, e Ana Moura partilhou com Miguel a canção que este compôs para o seu álbum Desfado, E Tu Gostavas De Mim, convidados que abrilhantaram ainda mais um palco já repleto de talento musical.

O ponto alto da noite, no entanto, foi o mais improvável de todos: a banda que inspirou Miguel Araújo para a música, composta pelos tios do cantor e denominada de Os Kappas, entrou em cena com timidez e deixou toda a gente em êxtase. Não se esperava, por certo, o espetáculo que se seguiu, numa cover de Bob Dylan, Like A Rolling Stone. O coliseu cantou de pé, e Os Kappas mereceram os aplausos efusivos com que a audiência em esteria os brindou.

É um álbum que, acredito, se tornará um pedaço importante de história na música Portuguesa, de um artista que já prestou provas sólidas daquilo de que é feito e de quem, tenho a certeza, um dia ouviremos falar com a mesma reverência que se guarda para, por exemplo, Rui Veloso. Pelo talento, pelo trabalho, pelo amor que entrega à música.

Este Cidade Grande Ao Vivo no Coliseu do Porto é um gosto para os sentidos.

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O Gato Negro De Tão Preto Que Era

O livro, da autoria de Vírgilio Marques que, nesta obra, se assina debaixo do pseudónimo Lobo Mata, traz-nos uma série de contos curiosos. Ao lê-lo, é como se um avô ou parente mais velho nos estivesse a contar histórias do seu tempo, cheias de traquinices e tipicalidades próprias de uma outra era. Muitas das palavras são antigas, pertencem ao vocabulário ancião, e também as vivências retratadas se assentam numa vida de aldeia.

Ao entranharmo-nos nos vários contos, quase conseguimos sentir o viver que ali se exprime. Brincadeiras de rapazes em tempos onde as horas se marcavam pelo sol, estratagemas que hoje em dia pouco lucro dariam, e vidas pacatas de que todos nós já ouvimos falar, contadas com saudade por quem, na sua meninice, as experienciou. Há aqui espaço para (des)gostos de amor, para fugas à polícia, e para a honestidade e simplicidade dos tempos antigos.

A embelezar cada um destes dezasseis contos, constam ilustrações de Maria Freitas. Desenhos que, a cada capítulo, se apresentam como uma janela aberta para a história que se desvenda de seguida.

Uma boa recomendação para quem ainda busca a magia das histórias contadas oralmente.

Blogazine #8

Eis que chega Fevereiro, o mês mais curto do ano, mas longo o suficiente para acolher nos seus dias mais uma edição da Blogazine!

Este mês, da minha parte, ficam dois textos, com temas distintos mas interligados pela mesma paixão: o fado. De um lado, o novo disco de Ana Moura, Moura; do outro, o livro da peça Uma Noite Em Casa De Amália, integrado na rubrica já habitual da Chiado Editora.

Como é costume, ficam em baixo ambos os textos, para uma leitura directa no blog e, aqui, fica também o link para a revista.

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Para o mês que vem há mais, espero que gostem!

Carina Pereira

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Moura de Ana Moura

Desfado foi o disco português mais vendido dos últimos dez anos. O álbum onde Ana Moura mais arriscou, mais se desprendeu do fado tradicional, e que mais tomou como seu, atingiu a quinta platina na reta final do ano passado. Poucas semanas após o disco ter sido distinguido com este portentoso galardão, é anunciada a preparação de um novo trabalho discográfico, com edição para novembro de 2015.

Gravado na Califórnia, com produção a cargo de Larry Klein, Moura atingiu o disco de ouro ainda antes deste sair para as lojas. A pré-venda não foi apenas uma previsão do sucesso que estava para vir, mas a garantia da confiança dos que se acostumaram já à magnificiência de Ana Moura.

E não foi exagero; atualmente com a marca de platina, o disco é bem merecedor de atenção.

De certa forma, e sem se comparar ao seu precedente, Moura segue um percurso semelhante e vai bordando ao fado outras sonoridades. Já mais confiante para se desprender do fado tradicional depois do sucesso de Desfado, Ana Moura oferece ao álbum o seu nome, considerando ser este o disco que mais de si tem: na vontade de reinventar, e sem medo de o fazer. O fado continua lá, mas à guitarra Portuguesa, – tão mestramente trinada por Ângelo Freire – à viola de fado tocada por Pedro Soares, e ao baixo que ressoa pelas mãos de Dan Lutz, os três intrumentos típicos do nosso fado, mesclam-se os batuques da percussão de Pete Korpela e da bateria de Vinnie Colaiuta, a guitarra elétrica de Dean Parks e o piano de Pete Kuzma.

O álbum contém treze faixas e nelas se espraiam os melhores autores da nossa música.

O single de lançamento, Dia de Folga, é da autoria de Jorge Cruz dos Diabo na Cruz, com sonoridades bastante dançantes, onde o roque popular dos Diabo se distingue, eliminando qualquer dúvida sobre a autoria deste tema. Já Agora É Que É, composto por Pedro Abrunhosa se desprende completamente daquilo a que estamos habituados a ouvir pela voz do cantor, mas este traz-nos algo mais obviamente seu noutro tema deste álbum, Tens Os Olhos De Deus.

Os nomes conhecidos seguem uns atrás dos outros: Miguel Araújo, em Fado Dançado, mais um engenhoso desfiar de trocadilhos a que o cantautor já nos habituou. Márcia assina Desamparo, e Samuel Úria oferece-nos a sua Cantiga de Abrigo. Carlos Tê criou toda uma história em O Meu Amor foi Para O Brasil e Pedro e Luís José Martins, dos Deolinda, oferecem Ai Eu a este leque de talentos. Até os escritos de José Eduardo Agualusa aqui se aportam, no tema homónimo ao disco. Manuela de Freitas, letrista sempre presente nos discos de Camané, consta na primeira faixa do álbum com um lindíssimo poema, Moura Encantada, assente num fado Cravo.

A voz de cinza de Ana Moura percorre cada canção com o sentimento que se espera; há alegria, e dança que não se vê mas se adivinha, sente-se na sua interpretação o desconsolo da perda e aquela melancolia de que o fado sempre precisa.

Um álbum soberbo, de um nome que já não precisa de se afirmar, mas que o faz a cada tema.

Blogazine Janeiro 2016

Uma noite em casa de Amália de Filipe La Féria

O génio de Filipe La Féria, a par com o nome, é sobejamente conhecido. A sua paixão por Amália Rodrigues também, e já foi imortalizada diversas vezes sobre os palcos dirigidos pelo encenador e dramaturgo.

O musical Amália percorreu as salas de espetáculos do país, numa turné que durou cinco anos e que contou com um elenco de luxo.

Uma noite em casa de Amália, no entanto, é para quem admira a nossa diva do fado e oferece-nos uma noite inesquecível: um serão de fado, poesia, debate e também de algum distúrbio. Uma noite boémia, como era a vida de todos os intervenientes; ao longo da peça encontramos, além da anfitriã, os poetas que ela tanto cantou, David Mourão-Ferreira, Ary dos Santos e Vinicius de Moraes, Alain Oulman, que musicou vários poemas interpretados por Amália, a fadista Natália Correia e a pintora Maluda, além de mais uma outra outra personagem menos famosa, mas igualmente importante para a narrativa.

É uma tertúlia fadista, que dá espaço ao debate, à crítica ao antigo regime e até mesmo a desentendimentos, que logo ali ficam resolvidos. São vários egos numa sala só, um talento imenso em várias vertentes, numa noite que acaba de madrugada e fica agora registada também em livro.

Para quem não teve a oportunidade de assitir à peça,  em cena de julho de 2012 a janeiro de 2013, esta é uma obra que vale a pena levar para casa.

 

Blogazine #7 – Entrevista

Aqui deixo trambém a entrevista que dei para a revista Blogazine. Para saberem um pouco mais de mim, se vos aprouver! 😀

http://www.joomag.com/magazine/blogazine/0901345001451600521?short

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Entrevista Carina Pereira

  1. Carina, antes de mais, consideras que a Carina que se apresenta na blogosfera é a mesma que os que te rodeiam conhecem?

Sim, e não. Há muito do que mostro na blogosfera que os meus amigos conhecem, mas nem toda a gente sabe que tenho um blog, que escrevo… principalmente a minha família, ainda tenho alguma vergonha de dar a conhecer esse meu lado à minha família. Ou melhor, saberem que eu escrevo sabem eles, mas o que escrevo… só publico no blog!

  1. Uma coisa que dizes (e se confirma) é que gostas de escrever poesia. Quando é que descobriste essa tua veia?

Acho que escrever poesia deve ter nascido comigo! Não me recordo de nenhuma altura na minha vida em que não escrevesse – ou inventasse, oralmente – poesia. Desde a escola primária que escrevo quadras e, mais tarde, estas evoluiram para poemas.

  1. Também gostas de cantar, é algo de que sempre gostaste ou algo mais recente?

Mais uma coisa que está comigo desde criança, com muito incentivo do meu pai! A primeira música de que me recordo, era uma que tocava várias vezes no leitor de vynil que os meus pais tinham lá em casa, chamada “Papai”. Era do Jorge Ferreira, que a cantava com a filha, e foi também por causa dela que aprendi a expressão “o disco vai riscar”. Como todas as crianças, quando têm uma fixação por alguma coisa, nunca me fartava de a ouvir.

A partir daí sempre cantei, em casa e, a certa altura, fiz parte de uma banda, que nunca chegou a ser nada de sério.

Desde os seis anos que queria aprender a tocar guitarra também, e agora pareço estar finalmente no bom caminho.

  1. O teu blog fez recentemente um ano, o que é que ganhaste, como ser humano, da blogosfera?

Ganhei, mais uma vez, a convicção de que o mundo está cheio de pessoas desinteressadamente bondosas. Sou uma optimista e acredito que o mundo, sendo tão mau quanto o pintam, é bom na mesma medida. Encontrei pessoas que, em troca de nada, tiram um pouco do seu tempo para nos alegrarem o dia, nos incentivarem e elogiarem.

E escrever faz-me bem, compôr faz-me bem, partilhar faz-me bem. Isso basta para continuar.

  1. Dizes que criaste o teu blog para te aproximares da tua língua materna, o português, vivendo na Bélgica, quando é que sentes mais falta de Portugal?

Não há uma altura específica, mas quando vejo espectáculos que não chegam cá, principalmente de fado, fico a remoer no facto de não poder assistir aos mesmos.

  1. Porquê o nome Contador d’Estórias?

Porque é aquilo que gosto de fazer, ou aquilo em que mais gostava de me distinguir, seja através da poesia, da narrativa ou da música, até.

Como disse Platão: “Aqueles que contam estórias regem o mundo”. É um desejo do que eu gostaria de ser, mais do que outra coisa qualquer.

  1. O teu blog não é como a maioria, em que é que se distingue?

Não sei bem o que o distingue dos outros. Não o actualizo com o afinco direccionado para o reconhecimento, senão faria publicações todos os dias. Faço-o por diversão; se me deixasse de dar gozo e se tornasse um fardo, abandoná-lo-ia. De resto, é uma mixórdia, e tanto se encontram contos originais, como letras, ou até resenhas de livros e discos. È um resumo do que eu sou e gosto, porque me é difícil gostar das coisas sem ser de forma apaixonada, e gostá-las só para mim. Quando algo me faz feliz – mesmo as coisas simples – gosto de o dar a conhecer aos outros.

  1. Qual é a tua ambição ao nível da blogosfera?

Ser lida, claro. Sempre que publico algum artigo é para chegar a alguém, para obter uma resposta, uma reacção. E também serve para eu ser motivada a escrever, pois tenho tendência a dar-me à preguiça. Saber que o que publico não é só para mim, e saber que alguém vai ver e comentar, faz-me querer criar coisas novas.

  1. Abordado o tema deste mês, tens algum hábito/supertição que pratiques na passagem de ano?

Antes comia as passas à meia noite, em cima de uma cadeira mas, como odeio passas, achei que era mau prenúncio começar o ano a fazer algo que não gosto. Vou pedindo ainda os desejos, muitas vezes de uma forma atabalhoada, mesmo na minha própria cabeça.

  1. Quais são os teus projetos para 2016?

Quero acabar os dois livros – se me posso dar ao descaramento de os chamar assim – que comecei este ano e, por sinal, deveriam ter sido terminados este ano. Acho que quando 2016 chegar ao fim vou acabá-lo a dizer exactamente o mesmo. Isso é bom, será sinal que não desisti.

Quero aumentar a minha biblioteca, ler mais livros de José Eduardo Agualusa e Mia Couto, – os meus favoritos – conhecer mais gente e mais sítios, ir a mais concertos, enfim, ser ainda mais feliz, que é o meu projecto de todos os anos.

O ano de 2015 foi de muitas mudanças, para melhor. Por isso, só me resta esperar para ver o que aí vem.

Carina Pereira

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