Não-Poesias | #8

Perguntam-me para onde vou

E eu dou a resposta que esperam:

Amsterdão, Macau, Ontário, Roma.

Mas o meu verdadeiro destino

És tu.

Sempre tu.

Carina Pereira

in “Não-Poesias”

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Não-Poesias | #7

Nunca dizemos o que sentimos, antes,

Quando ainda há tempo

Por isso te escrevo este poema póstumo

E to entrego em avanço

Insinuando todas as coisas que te devia ter dito

E vou deixando para quando for tarde demais.

Carina Pereira

in “Não-Poesias”

Semana Sem Lixo | Quem Alinha?

Como contei aqui e aqui, em Julho comecei a fazer os possíveis para viver sem fazer lixo. Ou melhor, a fazer o menos lixo possível.

Até agora, um mês e meio mais tarde, tem corrido bem. Já levava os meus próprios sacos para o supermercado, para não usar sacos plásticos de qualquer espécie, – fiz até sacos de pano para pesar fruta e vegetais – mas comecei a tomar outras medidas para evitar comprar produtos embalados e, sendo possivel comprar a granel, faço-o. Deixei de comprar produtos que são vendidos em plástico. Sim, até as minhas batatas fritas de pacote deixei de comprar. Mas há sempre locais que vendem gomas avulso, por isso levo o meu próprio saquinho para as pesar e nem tudo fica perdido.

Claro que viver sem lixo também passa por outras coisas: usar o nosso próprio copo para comprar café em vez de aceitar os copos descartáveis, usar guardanapos de pano em vez de papel, deixar de aceitar palhetas de plástico, trazer a comida que sobra de restaurantes, ou a de take-away, nos nossos próprios tupperwares, comer gelados de bola com a nossa tigela e colher, fazer até os nossos próprios produtos em casa, em vez de comprar em embalagens (e, sim, é possível fazer mutos produtos de higiene em casa). Aqui não existem muitos sítios para comprar café para beber no caminho, mas em Londres cheguei a comprar chocolate quente algumas vezes e pedi para encherem o meu próprio copo. Uma das vezes tive 25p de desconto, da outra vez até me deram o chocolate quente de borla, e das duas vezes me elogiaram efusivamente o copo (porque parece uma lente da Canon).

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Não fui a tempo de impedir que me dessem o guardanapo de papel

 

Há duas semanas entrei até em contacto com o supermercado onde costumo fazer as compras semanais, a saber se era possível eu comprar lá carne (porque é mais barata do que no talho e, já que lá vou todas as semanas, é mais fácil comprar a carne lá) trazendo-a no meu próprio tupperware. Embora o supermercado tenha talho, eles não vendem carne ao balcão, apenas a colocam em couvettes de plástico na zona dos frios para o pessoal pegar. O chefe do talho de lá então ligou-me e combinamos de eu levar o meu tupperware e eles preparam a carne para eu trazer. Assim escuso de usar uma embalagem de plástico que vai directamente para a recilagem.

Quanto ao lixo orgánico, comecei a fazer compostagem no meu apartamento com a técnica Bokashi. Tem funcionado bem e, sendo que o lixo orgânico era o que mais enchia o meu caixote do lixo, isso tem feito uma enorme diferença e penso até que, sem composto, a quantidade de lixo que acumulo não teria mudado assim tanto, pois eu já reciclava tudo o resto que dava para reciclar.

Em duas semanas abri o meu balde do lixo apenas duas vezes, para deitar fora pequenos pedaços de esponja de um projecto que fiz (um pequeno balde onde guardo os restos orgânicos para o composto) e para deitar fora um bocadinho de plástico que partiu de uma garrafa de spray que uso para regar plantas e que não daria para reciclar.

De certa forma, o mais difícil pode ser começar, porque vamos encontrar barreiras em todo o lado, mas num instante adaptamo-nos ao que há e aprendemos a fazer as nossas compras semanais de acordo com esta forma de viver sem lixo. Agora dou por mim a fazer um exercício mental durante as compras. Frutas e vergetais são fáceis, porque se encontram várias coisas sem embalagem, mas no que toca a productos processados, opto então por comprar embalado em vidro, papel/cartão ou metal.

Porquê esta aversão tão radical ao plástico e não às outras formas de embalamento? Porque o plástico não é eternamente reciclável. Mesmo o plástico que dá para reciclar vai acabar num aterro eventualmente. As garrafas de plástico que colocamos na reciclagem um dia poderão tornar-se uma mesa, ou uma daquelas cadeiras para crianças do Ikea. Quando isso não for mais usado, não há como reciclar esse tipo de plástico e pronto, lá é deitado fora com o lixo comum. Depois demora décadas a desaparecer, já para não falar que a maioria do plástico deitado fora acaba nos oceanos e, eventualmente, na nossa mesa. Sim, porque os peixes não têm entendimento suficiente para entender que não se deve comer plástico.

Já o vidro, o metal e a o papel, podem ser recicláveis uma e outra vez.

A próxima semana, de 4 a 8 de Setembro, é a semana sem lixo. Quem quiser experimentar viver uma semana sem produzir lixo (pelo menos lixo não-reciclável e plástico) pode juntar-se a mim. É um desafio que se pode tornar numa forma de viver, um esforço para ajudar o nosso planeta. Embora requira algum sacrifício, não é assim tão difícil quanto parece.

Eu tenho falado bastante sobre isto de viver sem lixo num blog em Inglês, que criei para relatar o meu processo de mudança, assim como no Instagram associado ao blog (não no meu pessoal). Lá, vou contando as minhas mudanças, aquilo que vou experimentando e vai resultando, ou não.

Embora eu não conheça muitas bloguers Portuguesas ligadas a isto, porque os sites que sigo e os grupos de que faço parte são Ingleses, posso convidar-vos a fazer parte desta semana Zero Waste aqui, e deixo-vos um blog Português que sigo, onde também podem encontrar dicas.

No meu texto deste mês para a plataforma literária Book Riot, falei sobre Zero Waste e de livros que nos podem ajuar a entender melhor o que é isto de viver sem lixo.

Carina

 

 

Por Onde É Que Eu Tenho Andado

A querida autora do blog O Miau Do Leão enviou-me um e-mail a perguntar se estava tudo bem, porque eu já não fazia publicações há muito tempo. E tem toda a razão.

Nas últimas semanas – meses? – tenho desleixado um pouco o blog, o que é uma pena, até porque entretanto recebi imensos seguidores na página do facebook. Adivinho que sejam resultado do artigo que escrevi sobre o copo mentrual, partilhado pela MeLuna e por mais algumas pessoas, acabando por ter imensas visualizações.

Aos novos seguidores, obrigada e sejam bem-vindos!

Aos antigos também sinto que devo uma explicação. Eu sei que já não é novo eu ter alturas em que escrevo cinco posts num fim-de-semana e depois perder o pio semanas a fio. Deve-se, em geral, a falta de inspiração ou tema, mas desta vez a culpa foi do lixo. Sim, ouviram bem, do lixo.

Na minha publicação anterior falei-vos que comecei a seguir um estilo de vida zero waste. Isto não significa que eu vendi tudo o que tinha e me retirei para um mosteiro em meditação e jejum – não que haja alguma coisa de errado com isso – significa, em tom muito resumido, que passei a tentar comprar coisas a granel, sem embalagem e, aquilo que não consigo comprar sem embalagem (que é a maioria das coisas por estas cidades pequenas), ter ao menos em conta que compro embrulhado em papel ou metal e reciclar tudo o que é reciclável (o que eu já fazia, na verdade). Comecei também a fazer compostagem do lixo orgánico. Quando compro comida ou bebida fora de casa, tento levar as minhas próprias caixas e copos, em vez de aceitar as embalagens, copos e palhetas que me dão e são de deitar fora.

Claro que eu vos falei sobre isto num post, fiz uma página no cabeçalho onde iria colocar tudo o que se referisse a zero waste e depois me pus a milhas e fui criar um site a contar a minha experiência… em Inglês. Sou uma desnaturada.

A verdade é que senti que havia mais partilha em Inglês do que em Português e eu queria começar isto com um sentido de comunidade. Para ter a certeza, também, que não estava a contar a minha história para “o ar”. E para chegar a mais pessoas que me pudessem ajudar a fazer o que é preciso para garantir que posso continuar a viver o mais possível sem fazer lixo.

Claro que eu não podia começar a ser zero waste sem pesquisar sobre isso, sem obter informação e ler outros relatos, então acabei por ocupar imenso do meu tempo estas últimas semanas embrulhada em aprender como fazer os meus próprios produtos, a conhecer os vários métodos de compostagem, daí me ter afastado completamente deste blog.

Mas não o abandono. Este foi o meu primeiro blog a sério e de vez em quando lá o deixo no porto, com um beijo e uma continência, mas o meu navio acaba sempre por atracar aqui na volta da maré. Prometo até começar a escrever aqui sobre esta minha experiência, que é para durar, e em Português, claro. Por isso fiquem desse lado, que eu entretanto partilho resumidamente o que tenho andado a fazer nestas duas semanas.

Se têm curiosidade e querem saber já, podem sempre dar uma vista de olhos ao site zerowasting.wordpress.com, e à página do Instagram, onde faço publicações quase diariamente. Há até quem já por lá me tenha encontrado acidentalmente, sem nomear nenhuma T. de um certo Life’s Textures. 😉

Carina Pereira