Uma História Sobre A Minha Mãe

Eu ligo aos meus pais aos fins-de-semana, e esta semana terminei a chamada com uma história que, pessoalmente, achei hilariante e, nos meus trinta anos de vida, a minha mãe nunca me tinha contado.

Começou porque o meu irmão faz um pão-de-ló excelente, mas há um ingrediente que ele lá coloca que ninguém sabe qual é, excepto a minha sobrinha, que não o revela a ninguém. Vai daí, a minha mãe nota que ela é como eu era em criança: segredos eram sagrados e não se contavam. Mas, isto não era bem assim, porque houve uma excepção, uma história que me contaram e que eu, na ânsia de que um primo do Brasil que nos visitara me achasse engraçada, acabei por contar, colocando uma prima em xeque. Afinal, vendi o segredo dela só para ter piada, e lá se foi a minha reputação de infância de nunca contar nada a ninguém.

Mas vamos à história da minha mãe.

Quando ela tinha vinte e um anos havia um rapaz interessado nela; o jovem era mais novo que ela uns três anos, então a minha mãe não estava interessada nele porque o achava muito novo – três anos, imaginem a desgraça! No entanto, em vez de lhe dar logo o fora, explicou-lhe que podiam continuar a ser amigos e quem sabe, até podia ser que um dia ela viesse a gostar dele (que jogo de cintura, mãe!). O moço, as esperanças ainda não estando todas por terra, perguntou-lhe se podia ir esperá-la à fábrica onde ela trabalhava de vez em quando, para saírem como amigos, ao que a minha mãe responde que sim.

Entretanto, uma amiga da minha mãe informa-a de que há um primo dela que tem os olhos nela, se a minha mãe estaria interessada em ir sair com ele (isto é que era agenda social, não saí nada a ela) e a minha mãe disse que não o conhecia bem, mas para mandar vir. E ele veio.

No dia seguinte, estava a minha mãe na fábrica a preparar-se para sair, quando uma colega nota que estão dois rapazes lá fora e pergunta eita, quem são as duas que hoje vão namorar?, a minha mãe olha pela janela… e eram os dois para ela!

Escusado será dizer que ela a modos que “panicou” um bocadinho, explicou às amigas da fábrica o que se tinha passado e tentaram ver a melhor forma de resolver a encrenca. Afinal, ela tinha dito ao primeiro moço, o mais novo, que podia aparecer de vez em quando na fábrica. E ele apareceu. Só com o pequeno inconveniente de ter aparecido no mesmo dia em que a minha mãe tinha um date combinado com outro. Coisas da vida.

Vai que não vai, quando a minha mãe olha de novo pela janela, os dois tinham ido embora. Mais tarde, ela veio a saber que, tendo metido conversa um com o outro, os dois moços chegaram à conclusão que estavam ali à espera da mesma. Pior, tinham os dois afirmado que estavam à espera da namorada. Daí, saíram de fininho.

Eventualmente, a minha mãe acabou por namorar com o primo da amiga e, eventualmente, terminou com ele porque, segundo ela, era mais velho do que ela, mas mais imaturo do que o outro rapaz, que ela achara novo demais.

Isto tudo só para demonstrar que a minha mãe tem muito mais dating game do que eu alguma vez tive, ou vou ter. De todas as coisas que eu poderia ter herdado…

Carina Pereira

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4 thoughts on “Uma História Sobre A Minha Mãe

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