Nesta Rua

Foi nesta mesma rua

Que tanta vez

A minha alma tomou bênção e maldição;

O que me sobra agora,

Se em tudo o que transbordaste,

És só memória que me enche a solidão?

Nesta rua entreguei contra o teu corpo

Coisas que só o amor sabe fazer

E a cada história que levavas dos meus lábios

Era eu menos e, ainda assim, mais

Do que viria hoje a ser.

Nesta rua inventei novos caminhos

E davam todos eles ao teu ponto de começo;

E em sorvos lentos eu acabava no teu peito

Em sorvos lentos veio o fim que agora meço.

Cada pedra foi alicerce e foi tropeço

A cada curva eu te perdia e te achava

Nesta rua foste o mapa que eu seguia

Quando, ao perder-me, me encontrava.

Há-de haver nesta rua algum recanto

Que tu não habites ou possuas

No entretanto

Vou olhando

O fundo de copos vazios

Sem memória de outras ruas.

Carina Pereira

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