Stephanie Garber | Caraval #1

Decidi ler este livro  por duas razões: primeiro por causa da capa maravilhosa (quem nunca?) e segundo porque li em todo o lado que este era “o novo The Night Circus”.

É sempre um risco dizerem que algo é “o novo” seja o que for, porque vai criar expectativas e, neste caso, sairam-me todas frustradas. Não que eu estivesse à espera que este livro fosse ao nível do The Night Circus, – o patamar era muito elevado visto que é um dos meus livros favoritos – mas esperava mais. Como disse no Instagram, comparar este livro ao The Night Circus é como comparar gelado normal a Haagen-Dazs. Por isso mesmo, dá lugar a desilusão. Não digo que o livro é mau, há quem goste deste tipo de escrita mas, para mim, deu lugar a muito revirar de olhos durante a leitura.

Para começar, metáforas constantes que não faziam sentido nenhum. Não gosto de ler um livro e ver que usam duzentos adjectivos e comparações para encher página e tornar o texto místico e é exactamernte o que acontece aqui. Mais, falando no The Night Circus, aí está um livro com um escrita bastante mágica – e, sim, talvez até mística – sem ser preciso perder tempo a encher frases com coisas que não fazem sentido. Dizer que algo cheira ao “escuro da noite” é dizer o quê, exactamente? É que houve lá descrições deste género que me ficaram a dizer o mesmo que se não tivessem dito nada.

As persongens também deixam muito a desejar; uma história pode ter elementos clichés sem a personagem o ser. A personagem principal, Scarlett, comporta-se com a tipicalidade de quem tenta retrair o que sente, sem querer retrair nada. Vê-se perfeitamente na narrativa que ela está a fazer um péssimo trabalho de se convencer a si mesma daquilo que quer mas não devia querer, o que a torna pouco credível. Uma personagem pode até mentir aos outros, mas quando mente a si mesma as coisas já mudam de figura. Depois, afirma com convição que tudo o que faz e tudo o que lhe interessa é a segurança da irmã, no entanto basta aparecer um companheiro jeitoso lá para o sítio e ela já oscila.  Tenham paciência, quem gosta assim tanto de uma irmã não vai oscilar entre esta e um possível romance (mas que não é um romance, claro, porque ela não gosta dele, nem pensar.) Já Julian – o tal jeitoso – também é uma personagem muito típica, o que me fez achar difícil sentir empatia pela história. Já estava a ver desde o início para onde é que a história ia, com personagens tão familiares é dificil não ver a história à nossa frente, memo que com alguns elementos surpresa.

Já o próprio mundo de Caraval – um circo numa ilha – não está definido. A autora parece não ter desenhado o mundo onde a histótia ocorre na sua totalidade e, talvez para fugir a erros de enredo, decidiu deixá-lo à imaginação do leitor, o que não ajuda quando não entendemos muito bem o que cada personagem nova que aparece lá faz, ou como o mundo funciona. Tudo tem regras, mesmo que essas regras sejam definidas apenas pela imaginação do autor. Há coisas que precisam de ser bem definidas quando inventamos um novo mundo de fantasia e aqui nem o próprio dono de Caraval, Legend, me aparece bem mapeado. Quem lê, precisa de saber porque é que as coisas são assim e não de outra forma.

Depois, gostava que os autores deixassem de matar personagens quando elas não vão ficar mortas. Não quero dar muitos pormenores sobre a história a quem ainda a vai ler, mas já era hora de aquilo que morre – sejam personagens importantes ou não – ficar morto, ou então encontrarem alguma forma de tornar a história interessante e edgy sem terem de matar personagens que nós nunca vamos acreditar estar mortas porque são vitais à trama. Era só isto.

Acho que podia ter apreciado mais a história se a escrita não me tivesse entediado, e não quero desencorajar ninguém de ler o livro e tirar as suas próprias conclusões. Como apontei já algumas vezes, não gosto da escrita de Nora Roberts, mas gosto da de Nicholas Sparks e há quem não aguente lê-lo. Por isso, se tinham o livro na vossa lista de livros a ler, façam-no. Depois venham trocar ideias comigo.

Ah, e este é o Caraval #1. O próximo deve chegar entretanto. Talvez explique algumas coisas, não está a esperança completamente perdida.

Carina Pereira

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