Vamos Lá Falar Sobre Audiobooks!

(Desculpem-me o estrangeirismo. áudio-livros? Também pode ser mas, se me permitem, para os efeitos da publicação de hoje eu uso a palavra inglesa.)

Sempre achei difícil ouvir qualquer coisa que não fosse música; se requeria demasiado da minha atenção, acabava por ficar com uma história contada em pedaços porque, quando dava por mim,  já me tinha focado noutra coisa qualquer e, se continuava a ouvir, já não estava a escutar. Este foi o caso até ter encontrado uma comédia da rádio Inglesa BBC 4, escrita por John Finnemore, chamada Cabin Pressure. É hilariante. Não é um livro, é certo, mas uma série de sketches cómicos acerca de uma companhia aérea – com um só avião – e as peripécias pelas quais eles passam. As personagens são muito bem construídas e ao longo das quatro temporadas há um desenvolvimento evidente das mesmas. Ajuda o facto de que, sendo uma dramatização, há vozes diferentes para cada personagem, não há uma narrativa, mas diálogos. Para quem se sente confortável a ouvir inglês aconselho vivamente as dramatizações da BBCRadio4. Além de séries como a que falei acima – John Finnemore tem também outros sketches que vale muito a pena ouvir – há livros que acabaram por ser levados à rádio, entre eles de um dos meus autores favoritos, Neil Gaiman: Good Omens, Neverwhere e Stardust. Mas há vários livros de vários autores – Jane Austen, David Nicholls, Victor Hugo, para nomear mais alguns – dramatizados para rádio, em vez de ser lido o livro completo como está impresso.

A partir daqui, ouvir sitcoms, dramas ou livros tornou-se muito, muito fácil para mim. A concentração deixou de ser um problema e, trabalhando como empregada de limpeza, ajuda imenso a passar as horas. Além disso, e embora eu não me guie por desafios e resoluções, ouvir audiobooks está a fazer o Goodreads Challenge deste ano uma meta fácil de alcançar. Se eu acho que é batota colocar audiobooks nesta equação da quantidade de livros lidos por ano? Nem por isso: só porque me estão a ler um livro não significa que eu não estou a absorver a história na mesma. Aprendo e leio mais em menos tempo e, à vezes, de uma forma ainda mais divertida. Quem ouve a Kate Winslet a ler Matilda sabe que não perdeu muito em não ter lido o livro, a sua interpretação das várias personagens é qualquer coisa de fantástico. Além de que eu não deixo de ler livros porque os ouço, simplesmente ouço livros quando não me posso sentar a lê-los. É um extra, não uma substituição.

O primeiro audiobook que ouvi a sério – penso que tinha tentando antes ouvir livros assim, mas sem sucesso – foi Scrappy Little Nobody, da actriz Anna Kendrick. Isto despoletou um gosto que eu não sabia que tinha por biografias e foi o empurrão que eu precisava para começar a ouvir audiobooks com regularidade. Certo, já tinha lido livros com o intuito de saber sobre a vida de alguém, – as cartas de Vincent Van Gogh ao seu irmão Theo, e dois livros baseados na sua vida Leaving van Gogh e Lust For Life, assim como The Paris Wife, sobre a primeira mulher de Hemingway – mas nunca me tinha dado ao trabalho de ir realmente procurar autobiografias para ler, o que fez disto um acaso feliz.

Agora vamos retroceder um pouco, vamos conhcer o site Librivox.org. Dei com este site quando andava a fazer algumas gravações de fanfiction pulicadas em vários blogs e, à custa disto, queria encontrar algum sítio onde me pudesse voluntariar para ler histórias. A Librivox é um site que contém audiobooks de livros que já estão no domínio público. Basicamente, o site vive à base de voluntários que gravam histórias e qualquer pessoa pode fazer o download das mesmas gratuitamente. Pareceu-me uma óptima ideia, que ia de encontro ao que eu queria fazer, e embora soubesse que podia encontrar livros aí, também sabia que as opções eram limitadas. Não me crucifiquem, mas nem sempre tenho paciência para ler – ou ouvir – clássicos e neste site é tudo o que se encontra (para um livro entrar em domínio público o autor tem de já estar morto há mais de 70 anos, por isso entendem aquilo que eu quero dizer). Acabei por colaborar no projecto gravando alguns contos infantis em Inglês e algumas obras de Eça de Queirós e Camilo Castelo Branco mas, para ouvir eu mesma, queria algo mais recente. Foi assim que encontrei dois sites: Audible.com e Audiobooks.com.

Começo já por falar nas desvantagens destes dois sites: são caros. Ainda não entendi porque é que os audiobooks são tão caros, principalmente quando comparados com livros físicos. Eu consigo encontrar livros em Inglês por uma média de 8€ na Book Depository, no entanto é raro encontrar algum audiobook em qualquer destes sites por menos de €14 e, a este preço, já falo de um audiobook com poucas horas, ou que quase ninguém conhece. A maior parte dos livros que me interessam custam entre €24 a €38, é um exagero. A outra opção, para comprar qualquer livro, independentemente do preço original que lá está, é fazer uma subscrição, ou comprar um crédito, o que custa os tais €14. Dá para um livro apenas, mas fica mais barato do que pagar o preço de capa.

O bem que estes sites têm é que oferecem sempre um trial run. Dá para subscrever durante um mês sem pagar, ficar com um audiobook de borla, e cancelar no mês seguinte sem custos adicionais. Além de tudo, o Audible faz parte da Amazon, e a Amazon costuma ter promoções extras para novos subscritores da Audible, em que os livros oferecidos são dois ou três, em vez de um. Mesmo a Audible lança promoções de vez em quando (três meses por €9, em vez de €14), é uma questão de se estar atento. Quando eu quis cancelar a minha conta após o primeiro mês, eles deram-me algumas opções que eram compensatórias e eu escolhi ficar com um crédito de €20 extra na minha conta. Parece pouco mas eles têm sempre um Daily Deal e, se nos dermos ao trabalho de visitar o site todos os dias, conseguimos comprar bons livros por €3 ou €4. Eu comprei mais algumas biografias assim, usando os €20 do crédito oferecido e outras pagando os €3 ou €4, vale a pena.

O Audiobooks.com não me deu nenhuma destas opções quando cancelei após o primeiro mês – Amazon há só uma – mas oferece o livro da primeira subscrição e depois podemos cancelar sem custos, nem problemas.

O iTunes também tem audiobooks para compra mas, pelo que vi, fica mais caro do que o Audible. Tudo depende da sorte que temos em encontrar livros em promoção e dos livros que queremos na altura.

Claro que, para quem procura alternativas sem custos há sempre outros canais, é uma questão de escolha, disponibilidade financeira e de sorte.

De momento estou a ouvir uma espécie de biografia escrita pelo Stephen King. Digo que é uma espécie de biografia, porque o livro vai dando dicas de escrita enquanto ele se alonga a contar episódios sobre a sua vida e a sua carreira como escritor. Ainda vou nos primeiros capítulos, mas estou a gostar bastante e espero também aprender alguma coisa sobre escrita. Do King só li o The Shining mas, com a saída da série It, que está para breve, estou curiosa sobre este livro também. Ando a ouvir também, alternativamente, David Copperfield, de Charles Dickens e embora a interpretação do Richard Armitage seja fantástica, a história tem personagens bastante típicas e é enorme. Quando encontrei umas biografias que queria ouvir a preço de nada, acabei por colocar o do Dickens de lado. Volto a ele mais tarde.

Aquilo que eu acho interessante e extremamente atraente nas biografias é que nos dão uma prespectiva profunda sobre pessoas que achavamos que conhecíamos – ou pessoas das quais apenas tinhamos uma pequena ideia. Eu interesso-me, sem maldade, pela vida dos outros e acabo por sentir que são uma inspiração para aquilo que nós queremos fazer com a nossa vida – ou aquilo que queremos evitar. Até agora ouvi a historia de vida da Anna Kendrick, como disse acima, da Amy Schumer, Amy Poehler, do Trevor Noah, da Tina Fey, do Steve Jobs (que era um idiota. revolucionário mas, ainda assim, um idiota), Mara Wilson, Alan Cumming, Gene Wilder e, talvez aquela que até agora tenha tido mais impacto em mim, de Bruce Springsteen. Escolho esta como favorita, mas adorei cada uma delas. Teria gostado delas caso as tivesse lido, em vez de as ouvir – na sua maioria – contadas pelo próprio autor? Muito provavelmente, sim. Mas tenho a sensação que acabaria por me dispersar um pouco, e é das coisas que mais me distraem e entretêm quando estou a trabalhar: ouvir outros a falar da vida deles. (Deve haver alguma teoria Freudiana aí que eu não estou a sintonizar, mas não tem mal.) 

De ficção ouvi ainda o The Ocean At The End Of The Lane e The Graveyard Book do Neil Gaiman, lidos por ele (é um excelente narrador). Este último está também disponível no youtube, caso queiram dar uma vista de olhos, neste link.

Quando os livros são lidos pelo próprio autor é interessante ver o tom que ele dá às frases, porque todos nós acentuamos coisas diferentes e, por vezes, parece até que o sentido do livro de repente se altera com estas nuances.

Querem um bom remédio para adormecer quando os vossos pensamentos teimam em vos manter acordados? Audiobooks. Escolham audiobooks que já tenham lido – senão perdem o fio à história – e liguem o mp3 a uma coluna portátil ao pé da cama (comprem tampões para os ouvidos do companheiro, se o tiverem). Acreditem que, nas noites em que me custa adormecer, escolho The Night Circus, lido por Jim Dale, The Book Thief, lido por Allan Corduner ou The English Patient, lido pelo próprio Ralph Fiennes e pouco depois a minha mente fecha-se. Ao prestar atenção ao que estou a ouvir, o sono acaba por chegar. Além de tudo, a narrativa destas histórias é bastante calmante e durmo muito mais descansada e num sono mais profundo a noite toda. Experimentem.

Os títulos neste artigo estão em Inglês, porque eu os ouço em Inglês, mas o Audible e o Librivox – ainda não explorei muito o Audiobooks.com nesse aspecto – tem títulos em Português.

Espero ter conseguido passar o meu amor por audiobooks aqui, acho que é uma excelente forma de compensar a falta de tempo que temos para a leitura, ou ser usado como uma forma de acelerar este relativo tempo. Precisam de passar a ferro, lavar a loiça ou ir correr? Audiobooks.

Carina Pereira

(Fiz uma lista no Goodreads com os livros que menciono acima, audios ou não, aqui.)

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