Amsterdão – Holanda | Parte I

Acabei de regressar de Londres, a cidade do meu coração, à qual quero sempre voltar, ainda mal a deixei. Não sei o que tem Londres, sei que tem um pedaço de mim e mais pedaços vão ficando a cada regresso. Trago pedaços comigo, também, por isso é uma troca e não uma perda.

Prometo que escrevo sobre estas mini-férias em breve e, se quiserem, podem ver aqui a minha publicação de 2014, quando lá passei o Natal. Como tenho lá amigos, junto o bom ao melhor.

Entretanto, não me esqueci do texto sobre a viagem a Amsterdão e Brugge. Acontece que, na excitação de contar tudo, acabei por me alongar e ainda só resumi o primeiro dia da viagem. Decidi dar-vos já a primeira parte da narrativa desse primeiro dia, com as respectivas fotos. Logo, logo, vos falo do museu de van Gogh, que visitei no último dia em Amsterdão e da lindíssima cidade de Brugge, aqui na Bélgica. Vamos por partes, para que a leitura corra melhor. 🙂

A parte II está no forno.


 

Está um Domingo cinzento aqui na Bélgica, bastante semelhante aos dois dias passados em Amsterdão. A única excepção nesses dias, por sorte, foi a chuva, o que me permitiu passear um pouco pela cidade, apesar de uma brisa menos favorável.

Tinha tencionado escrever o relato das minhas mini-férias por Amsterdão e Brugge na semana seguinte a ter regressado à base, mas acabei por adiar a escrita. Queria falar sobre as duas viagens com alguma calma e com bastante pormenor. Hoje tenho o dia inteiro para mim, um jantar com amigos só mais logo, e vontade de escrever, que é o mais importante. Por isso preparem-se para um post longo.

A viagem a Amsterdão decorreu nos dias 2 e 3 de Junho – uma Quinta e Sexta-feira – e o passeio a Brugge foi no Domingo seguinte. Fi-lo na companhia de um dos meus amigos mais antigos e mais próximos, que faz o favor de me visitar quase todos os anos desde que me mudei para cá. Pessoas que não têm medo de andar de avião dá nisto mas, fiz-lhe a promessa de o visitar à Polónia para o ano que vem, visto que ele está de momento a viver na Noruega – embora seja Português, como eu – mas vai estudar medicina para a Polónia este Setembro.

Vamos lá começar a viagem.

*

Como sabem, vivo na Bélgica, mais ou menos a 160 km de Amsterdão. De carro, demoraria umas duas horas a lá chegar, mas eu não sou grande adepta de conduzir por sítios desconhecidos sozinha e de confusões de tráfico. Assim, ficou decidido que na Quinta-feira de manhã me levantaria cedo em direcção a Eindhoven – a estação de comboio Holandesa mais próxima, a uns 40km de casa – e deixaria o carro estacionado em casa da amiga de uma amiga (não, não está repetido), que vive perto da estação. Juntava o útil ao agradável: não tinha de conduzir para uma cidade confusa e ainda iria andar de comboio, uma das minhas paixões.

Uma viagem de comboio na Holanda ronda os 40 euros, ida e volta. É necessário ter um cartão que custa 7,50 para andar em quase todos os transportes (comboio, metro, tram), mas no comboio podemos simplesmente pagar mais um euro para fazer essa viagem sem o cartão. Para quem viaja regularmente, acaba por compensar comprá-lo. Bem sei que a viagem é um pouco cara, mas as carruagens são novas, estão sempre impecáveis e o comboio tem wifi grátis. Em todos os autocarros e trams, além do comboio, há um ecrã com as paragens, para que nunca ninguém se perca. Há luxos que se têm de pagar.

Quem deseje ir e voltar de comboio no mesmo dia, eles têm várias promoções no site, onde os bilhetes incluem muitas vezes um almoço ou uma actividade, – como visitar um museu, por exemplo –  já incluídos no preço e alguns tão baixos quanto 19 euros (pela ida e volta).

Embora seja possível comprar um bilhete de autocarro no próprio transporte, para andar de tram em Amsterdão precisei mesmo de ter o tal cartão de 7.50 euros. O mais idiota é que o carregamento mínimo do cartão é de 5 euros, mesmo que se tenha já lá 4 euros carregados e só se precide de mais 50 cêntimos para cobrir a viagem. No final dos dois dias, um dos meus cartões ainda ficou com 3 euros de saldo o que, suponho, pode ser um pouco aborrecido para quem é simplesmente turista e nunca mais vai voltar à cidade, ficar com saldo não-utilizado no cartão, e um pedaço de plástico que lhes custou 7.50 sem futura utilidade. Não pesquisei se eles devolvem o valor a pedido, visto que eu vou usar o cartão mais vezes e poderei deduzir depois esse valor para pagar a viagem de comboio, mas não acho que esta forma de pagar os transportes e carregar o cartão seja a mais inteligente ou intuitiva. Eles lá sabem.

A viagem de Eindhoven para Amsterdão dura cerca de 1h20, no comboio directo. Há outro comboio, onde é preciso fazer troca em Utrecht, que demora um pouco mais, por isso vale a pena apanhar o directo.

Cheguei a Amsterdão, à estação central, depois de alguns contratempos – não contei bem com o trânsito que ia apanhar no caminho para Eindhoven e tive de apanhar o comboio meia hora mais tarde. Procurei a estação de trams, que fica mesmo em frente, carreguei o meu cartão e verifiquei novamente nas indicações dadas pelo hostel que trams podia apanhar para lá chegar. O meu amigo tinha chegado na noite anterior, e já estava no hostel à minha espera.

Fiquei no StayOk Hostel, mesmo no centro de Amsterdão. É um hostel simpático, embora o staff não soubesse muito bem o que aconselhar a quem lhes perguntava o que valia a pena ver por ali. As noites em Amsterdão são caras: por um quarto partilhado com dez pessoas paguei 33 euros – era o mais barato que havia ali no centro.  Mas a cama era confortável, a casa de banho partilhada era privada ao quarto e o bar vendia refeições a bom preço, para os preços standard Holandeses. O único senão que apontei foi o facto de não providenciarem cadeado para o cacifo do quarto: temos de o levar, ou comprar um na recepção por 4,50 euros. Por outro lado, o cacifo é espaçoso e o preço dos cacifos para deixar a mala, já fora do quarto, era baixo, – o que me deu jeito pois no segundo dia tivemos de fazer check out às 10h30 da manhã mas precisavamos de um lugar para colocar as malas antes de irmos visitar o resto da cidade, – ficando 2 euros por dia ou 0.20 centimos por hora. Tinha wifi à borla e o pequeno almoço, incluído no preço, era excelente.

O tram vindo da estação Central – 1, 2 ou 5 – parava perto do hostel mas, mesmo assim, fiquei meia perdida sem saber seguir as direcções impressas em casa. Não tinha um mapa, e não encontrava o primeiro ponto de partida que eles davam. Perguntei aqui e ali e cheguei a três conclusões: a maior parte das pessoas que deambula pela cidade são turistas, por isso sabiam menos do que eu; os trabalhadores de rua quando confrontados em Holandês falam logo em Inglês e também não reconheciam a rua que eu lhes perguntava; o primeiro senhor capaz de me dar indicações, Holandês, era bastante simpático, conhecia o hostel e, como ia para aqueles lados, ofereceu-se para me levar até à rua que eu procurava. De caminho, perguntou-me de onde eu vinha e quando lhe expliquei que era Portuguesa falou-me logo das viagens que já tinha feito a Portugal, algo a que eu já estou acostumada também aqui na Bélgica, e divirto-me imenso quando eles falam no Algarve e eu, uma Portuguesa, lhes confesso que nunca lá pus os pés.

Finalmente, despedindo-me com um agradecimento do senhor (e depois de ter ouvido a sua advertência para não andar no parque junto ao hostel à noite porque não era seguro) tinha chegado ao meu primeiro destino.

Troquei abraços e considerações com o meu amigo, fui pousar a minha mala no quarto – entramos com o cartão dele, visto que eu só podia fazer check in de tarde –  e saímos. Durante o pouco tempo em que nos sentámos na sala comum, enquanto virávamos mapas para ver as atracções e procurávamos o Red Light District, um senhor brasileiro que estivera aquele tempo todo sentado à nossa frente levantou-se para sair, mostrou-nos no mapa dele aquilo que andavamos à procura e, finalmente, deu-nos o mapa. Incrível, há sempre alguém a falar Português em qualquer canto!

Começamos por nos dirigir para o centro da cidade. Tinhamos decidido encontrar algum sítio para almoçar e, ao procurá-lo, ir vendo Amsterdão. A primeira rua que começamos a descer tinha já os típicos canais que torna Amsterdão tão bonita. Imensas bicicletas, claro – que, em geral, não respeitam o trânsito e muito menos os peões (aqui já estou habituada a isso mas o meu amigo ficou doido com a má-educação dos cliclistas contra quem anda a pé pela cidade) – e vários cafés e restaurantes virados para as águas. Acabamos por parar num bistro simpático e económico para trincar alguma coisa e fomos então depois à procura do reboliço, das gentes, do coração da cidade.

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Para ser sincera, fiquei com a sensação de que Amsterdão não tem muito para ver nas ruas. Ou melhor, as cidades que já visitamos aqui pela Bélgica e pela Holanda são bastante parecidas com Amsterdão: as casas, as ruas, os edifícios – de maneira que, no fim da viagem, nos sentimos um pouco defraudados com toda a atenção e fama que a cidade merece entre os locais mais turisticos do mundo. Não foi um desapontamento, a cidade é bonita. Mas ouviu-se tanto e tão bem, que acabamos por sentir que havia too much fuss about not so much.

Na primeira ronda à volta da cidade demos com uma pequena parte do Red Light Disctrict. Infelizmente, por razões de eu ter levado umas sapatilhas novas e estar com os meus pés martirizados no final do dia, acabamos por não o ir visitar à noite, o que foi uma pena mas tudo na vida tem um propósito e o propósito disto foi eu nunca mais me lembrar de usar calçado novo numa viagem onde pretendo andar, andar e andar. Podia ter sido pior, nunca matei ninguém.

As outras ruas principais eram cheias de vida: coffeeshops – cheiro a ganza em todo o lado – lojas de souvenir, de waffles, de tudo um pouco, na verdade, e muitos turistas. Quando regressamos ao hostel para jantar antes de nos prepararmos para a saída nocturna, tínhamos já dado uma grande volta pela cidade. À noitinha, esperava-nos um dos pontos altos da viagem: o museu de Anne Frank.

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Anne Frank: para não esquecer a história.

Há três formas de conseguir bilhetes para o museu: reservar online com dois meses de antecedência (para visitar a casa entre as 9h00 e as 15h30), verificar online no próprio dia se há bilhetes disponíveis de pessoas que desistiram (para qualquer hora do dia), ou fazer fila a partir das 15h30 da tarde para visitar o museu até às 22h00. Felizmente, o meu colega conseguiu comprar dois bilhetes online para esse mesmo dia, às 19h45. Munimo-nos de um mapa e partimos com tempo à descoberta do anexo secreto mais conhecido do Holocausto.

Li o diário de Anne Frank ainda adolescente, devia ter entre 13 e 15 anos, aluguei-o na biblioteca da minha escola. Uns dias antes da viagem terminei novamente o diário, pesquisei sobre os sobreviventes, questionei coisas que a minha mente de adolescente nem sequer se lembrou de pensar. Obviamente, estava agora mais ciente dos verdadeiros horrores da guerra e embora Anne tenha tido mais sorte do que muitos dos judeus que morreram como ela em campos de concentração, é impossível não sentirmos mais a dor dela depois de ver todos os desejos e planos que ela tinha para o futuro, escritos no seu diário. Ao lê-lo, sentimo-mos quase como videntes, complacentemente a ouvir as suas palavras, sabendo que não há futuro onde esses sonhos se possam encaixar. Tenho pena por todos os outros, claro. Mas mais por Anna, porque a conheci. Através do seu diário, conheci-a.

De tudo o que vi em Amsterdão, a casa de Anne Frank, o anexo secreto, foi o que mais me marcou e o que mais gostei. Hei-de certamente lá voltar para o visitar de novo.

Antes de lá chegarmos, porém, andámos outra vez perdidos. A casa não é exactamente numa das ruas principais, mas numa rua perpendicular, em frente ao canal. Claro que, mal nos indicaram onde o museu ficava, a fila à porta à espera para comprar bilhetes, denunciou-o. Não tenho a certeza que todas aquelas pessoas tenham conseguido entrar. Ao lado da fila para compra de bilhetes há uma outra porta, para quem os adquiriu já online, e as pessoas entram por grupos, a cada quinze minutos. Não há tempo limite para ficar na casa, embora eu admita que é difícil demorarmo-nos muito em certas partes, pois há corredores estreitos onde somos obrigados a seguir a corrente.

Às 19h45 entramos. Na entrada há panfletos com a planta da casa e é onde se mostram também os bilhetes. A seguir, dirigimo-nos para o lado direito.

A primeira divisão que vemos é o armazém do rés-do-chão. De toda a gente que trabalhava no escritório do pai de Anne, Otto Frank, os trabalhadores do armazém eram os únicos que não sabiam da existência dos oito residentes da casa. Mas talvez seja melhor eu começar pelo início, como a história de Anne começou. Podem, claro, saltar esta parte à frente e fazer a vossa pesquisa, mas eu tenho imensa informação sobre Anne Frank e a família de momento, por isso se tiverem alguma paciência, posso contar-vos um pouco desta história.

Anne Frank nasceu na Alemanha a 12 de Junho de 1929, mas mudou-se para Amsterdão com a família aos 4 anos, em 1933, quando os nazis chegaram ao poder. A Holanda ainda oferecia alguma segurança, apesar de cada vez mais haver regulações contra os judeus, mesmo ali. Chegou a um ponto, e Anne fala nisso no seu diário, em que aos judeus nem sequer era permitido andar de bicicleta. Era comum chamarem os membros jovens e adolescentes da família, através de uma notificação, para os enviar para o Este com o pretexto de irem para lá trabalhar. É claro que iam para os campos de trabalho nazis. Um dia, a irmã de Anne, Margot, que era três anos mais velha, recebe uma dessas notificações, o que apressa a família a esconder-se.

Otto Frank era proprietário de uma empresa – a Opekta –  que produzia um ingrediente para fazer compotas. Um ano antes, já ele tinha passado a companhia para o nome dos seus trabalhadores – Johannes Kleiman e Victor Kugler – e começara também a preparar o anexo por trás do escritório com comida e mobília, para que quando fosse necessário a família se pudesse mudar para lá, e lá ficar escondida. Para além de Johannes e Kugler, havia mais duas secretárias: Miep Gies e Bep Vozkujil. Todos eles se prontificaram a esconder e a ajudar a família, a arranjarem tudo o que eles necessitassem, durante o tempo em que fosse preciso se manterem escondidos. O marido de Miep também sabia do arranjo e era ele quem tratava de, entre outras coisas, encontrar cupões para comprar comida para a família – dantes a alimentação era racionada e, quando não se podia comprar mais nas lojas comuns, tinha de se recorrer ao mercado negro. Penso que o pai de Bep foi o responsável por construir a estante que tapava da vista de desconhecidos a porta de acesso ao anexo.

A família chegou ao anexo secreto a 6 de Julho de 1942. A eles juntaram-se Auguste, Hermann e Peter van Pels e Fritz Pfefer – Hermann era sócio de Otto e Fritz era amigo da família Frank e dentista de Miep (alguns dos nomes foram alterados no diário de Anne).  Ali viveram, escondidos, durante 2 anos, até ao dia 4 de Agosto de 1944.

Antes disso, a 12 de Junho de 1942, Anne tinha recebido um diário pelo seu aniversário. A partir daí ela continuou sempre a escrever o dia-a-dia no anexo, as suas dúvidas, receios e conflitos interiores. A última entrada do diário tem a data de 2 de Agosto de 1944 e é um murro no estômago chegar ao fim da mesma e ler o anúncio “O diário de Anne Frank termina aqui” e vir a descobrir o destino fatídico de todos. Pouco tempo depois, terminaria também a sua vida.

É de salientar que a versão actual do diário é uma compilação dos vários cadernos onde Anne fez os seus apontamentos e, a primeira parte dos transcritos do mesmo, uma edição feita por Anne enquanto vivia escondida. Pela rádio, ainda no anexo, tinham ouvido que depois da guerra diários e outras anotações seriam coleccionados, então Anne, com vista a publicar o seu diário mais tarde, começou a editá-lo. Não terminou de editar todas as entradas, mas as páginas editadas foram incluídas no livro tal como ela as reescreveu. Algumas passagens foram também excluídas pelo pai de Anne aquando da preparação para a edição do livro em 1947, por achar que continha passagens demasiado privadas ou demasiado críticas em relação aos habitantes da casa – Anne conseguia ser implacável no seu julgamento das pessoas, por vezes.

O facto de os cadernos terem sido salvos foi quase um milagre.

Até aos dias de hoje, não se sabe quem denunciou à polícia de segurança nazi o paradeiro de uma família judaica no anexo. No fatídico dia um ofical do SS apareceu no escritório e a passagem para a casa ficou a descoberto; os seus habitantes, assim como Johannnes e Kugler, foram levados para a sede da polícia e todos os pertences da casa – incluindo roupas, comida e mobília – saqueados pelos oficiais. Só Miep e Bep foram poupadas, e deixadas para trás no escritório.

Quando Miep regressou ao anexo vazio, encontrou os diários de Anne. Aparentemente, os oficiais deveriam entregar todos os pertences que estavam dentro das casas que iam descobrindo, mas muitos deles tentavam saquear objectos para si. Um desses oficiais pegou numa das caixas no quarto de Otto, despejou o conteúdo no chão, pegou nas coisas valiosas que encontrou, e levou-as. Dentro da caixa despejada, estavam os diários de Anne e por isso chegaram aos dias de hoje, com excepção de um. Há entradas, que correspondem a quase um ano, em falta no diário de Anne. É pouco porvável que ela tivesse deixado de escrever durtante tanto tempo, por isso depreende-se que esse caderno se perdeu.

Johannes e Kugler foram mais tarde libertados. Das oito pessoas escondidas na casa, só Otto Frank sobreviveu aos campos de concentração para onde foram levados. Anne Frank faleceu em Fevereiro de 1945, no campo de concentração Bergen-Belsen, três semanas antes do campo ser liberado.

Miep Gies, que tinha guardado os diários para os entregar a Anne no final da guerra, deu-os finalmente a Otto, ao saber que Anne não tinha sobrevivido.

É a história que faz a casa.

Ao longo das divisões, há vídeos explicativos, que nos levam um pouco pela viagem de Anne e dos outros fugitivos, assim como dos seus fieis ajudantes. Primeiro visita-se os escritórios e só depois se sobe para o anexo secreto. As escadas são estreitas é é difícil imaginar tanta gente a viver em tão pouco espaço. A cozinha então,  – que era também o quarto do casal van Pels e sala comum de todos – está completamente tapada do mundo exterior por uma cortina e à luz da lâmpada sentimo-nos claustrofóbicos. O úncio lugar com luz natural era o quarto de Peter van Pels, ligado por umas escadas (que não se podem subir) ao sótão, onde eram guardadas as rações. Daqui vê-se uma janela, os ramos de uma árvore, e o céu. No diário de Anne, só ela, Peter e Margot é que passam lá mais tempo. Penso que, se vivesse no anexo, passaria todo o tempo possível lá.

No final da visita, há ainda mais uma divisória com anotações pré-guerra, antigos colegas de escola da Anne, entre outras coisas, uma espécie de pequena sala de cinema com uma vídeo para ver – com várias celebridades e outras pessoas que privaram com Anne antes e durante a sua estadia no anexo, assim como algumas que a viram nos seus derradeiros dias em Bergen-Belsen, a falarem sobre ela e sobre aqueles tempos, sobre o impacto do diario no mundo actual – e é possível também assinar o livro de visitas.

Toda a visita dá uma prespectiva muito diferente aos nossos dias, isso posso garantir.

Do primeiro dia, foi isto que ficou. Regressamos ao hostel e, pelo caminho, fomos fazendo planos para o dia seguinte.

Carina Pereira

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