Blogazine #8

Eis que chega Fevereiro, o mês mais curto do ano, mas longo o suficiente para acolher nos seus dias mais uma edição da Blogazine!

Este mês, da minha parte, ficam dois textos, com temas distintos mas interligados pela mesma paixão: o fado. De um lado, o novo disco de Ana Moura, Moura; do outro, o livro da peça Uma Noite Em Casa De Amália, integrado na rubrica já habitual da Chiado Editora.

Como é costume, ficam em baixo ambos os textos, para uma leitura directa no blog e, aqui, fica também o link para a revista.

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Para o mês que vem há mais, espero que gostem!

Carina Pereira

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Moura de Ana Moura

Desfado foi o disco português mais vendido dos últimos dez anos. O álbum onde Ana Moura mais arriscou, mais se desprendeu do fado tradicional, e que mais tomou como seu, atingiu a quinta platina na reta final do ano passado. Poucas semanas após o disco ter sido distinguido com este portentoso galardão, é anunciada a preparação de um novo trabalho discográfico, com edição para novembro de 2015.

Gravado na Califórnia, com produção a cargo de Larry Klein, Moura atingiu o disco de ouro ainda antes deste sair para as lojas. A pré-venda não foi apenas uma previsão do sucesso que estava para vir, mas a garantia da confiança dos que se acostumaram já à magnificiência de Ana Moura.

E não foi exagero; atualmente com a marca de platina, o disco é bem merecedor de atenção.

De certa forma, e sem se comparar ao seu precedente, Moura segue um percurso semelhante e vai bordando ao fado outras sonoridades. Já mais confiante para se desprender do fado tradicional depois do sucesso de Desfado, Ana Moura oferece ao álbum o seu nome, considerando ser este o disco que mais de si tem: na vontade de reinventar, e sem medo de o fazer. O fado continua lá, mas à guitarra Portuguesa, – tão mestramente trinada por Ângelo Freire – à viola de fado tocada por Pedro Soares, e ao baixo que ressoa pelas mãos de Dan Lutz, os três intrumentos típicos do nosso fado, mesclam-se os batuques da percussão de Pete Korpela e da bateria de Vinnie Colaiuta, a guitarra elétrica de Dean Parks e o piano de Pete Kuzma.

O álbum contém treze faixas e nelas se espraiam os melhores autores da nossa música.

O single de lançamento, Dia de Folga, é da autoria de Jorge Cruz dos Diabo na Cruz, com sonoridades bastante dançantes, onde o roque popular dos Diabo se distingue, eliminando qualquer dúvida sobre a autoria deste tema. Já Agora É Que É, composto por Pedro Abrunhosa se desprende completamente daquilo a que estamos habituados a ouvir pela voz do cantor, mas este traz-nos algo mais obviamente seu noutro tema deste álbum, Tens Os Olhos De Deus.

Os nomes conhecidos seguem uns atrás dos outros: Miguel Araújo, em Fado Dançado, mais um engenhoso desfiar de trocadilhos a que o cantautor já nos habituou. Márcia assina Desamparo, e Samuel Úria oferece-nos a sua Cantiga de Abrigo. Carlos Tê criou toda uma história em O Meu Amor foi Para O Brasil e Pedro e Luís José Martins, dos Deolinda, oferecem Ai Eu a este leque de talentos. Até os escritos de José Eduardo Agualusa aqui se aportam, no tema homónimo ao disco. Manuela de Freitas, letrista sempre presente nos discos de Camané, consta na primeira faixa do álbum com um lindíssimo poema, Moura Encantada, assente num fado Cravo.

A voz de cinza de Ana Moura percorre cada canção com o sentimento que se espera; há alegria, e dança que não se vê mas se adivinha, sente-se na sua interpretação o desconsolo da perda e aquela melancolia de que o fado sempre precisa.

Um álbum soberbo, de um nome que já não precisa de se afirmar, mas que o faz a cada tema.

Blogazine Janeiro 2016

Uma noite em casa de Amália de Filipe La Féria

O génio de Filipe La Féria, a par com o nome, é sobejamente conhecido. A sua paixão por Amália Rodrigues também, e já foi imortalizada diversas vezes sobre os palcos dirigidos pelo encenador e dramaturgo.

O musical Amália percorreu as salas de espetáculos do país, numa turné que durou cinco anos e que contou com um elenco de luxo.

Uma noite em casa de Amália, no entanto, é para quem admira a nossa diva do fado e oferece-nos uma noite inesquecível: um serão de fado, poesia, debate e também de algum distúrbio. Uma noite boémia, como era a vida de todos os intervenientes; ao longo da peça encontramos, além da anfitriã, os poetas que ela tanto cantou, David Mourão-Ferreira, Ary dos Santos e Vinicius de Moraes, Alain Oulman, que musicou vários poemas interpretados por Amália, a fadista Natália Correia e a pintora Maluda, além de mais uma outra outra personagem menos famosa, mas igualmente importante para a narrativa.

É uma tertúlia fadista, que dá espaço ao debate, à crítica ao antigo regime e até mesmo a desentendimentos, que logo ali ficam resolvidos. São vários egos numa sala só, um talento imenso em várias vertentes, numa noite que acaba de madrugada e fica agora registada também em livro.

Para quem não teve a oportunidade de assitir à peça,  em cena de julho de 2012 a janeiro de 2013, esta é uma obra que vale a pena levar para casa.

 

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