Boteco Das Tertúlias |#5 Resoluções De Ano Novo

Lá diz a expressão: ano novo, boteco antigo. Ou, se não é uma expressão já, devia ser!

Aqui nos encontramos mais uma vez, agora em 2016, para o primeiro Boteco Das Tertúlias do ano. E, para não destoar, trazemos um tema de que muito se fala: resoluções de ano novo.

Espero que gostem e, como sempre, não se esqueçam que a esta mesa se sentam mais quatro pensadoras, e que cada uma traz uma perspectiva diferente sobre este assunto. Vão lá lê-las!

*


Há pessoas que vivem para fazer e outras que vivem para sonhar.

Esta é a primeira frase de um pequeno conto que me apareceu de mansinho de madrugada, enquanto eu lutava com um sono que me teimava em fugir. O conto começou com a frase e a ideia tomou vaga forma. Apontei-a, sabendo que precisava de tempo para com ela brincar, tempo fora daquela madrugada sem sono, um tempo que não fosse contado, nem apressado. Esse tempo nunca mais chegou.

A frase ficou perdida no caderno que a acolheu, saltitou em mim uma ou outra vez, sem que eu resolvesse sentar-me para lhe dar o que me pedia: forma. É a ironia que a salva agora e, sem a afastar definitavamente da história a que pertence de raiz, a assenta nesta reflexão que faço.

Talvez eu seja uma pessoa-sonho, e não uma pessoa-faz. Talvez os sonhos sejam tão altos que alcançá-los me dê vertigens. Mas, como posso eu saber que tenho vertigens desses sonhos se nem sequer me dou ao medo que é subi-los?

Não faço resoluções de ano novo, porque não tenho medo de falhar. Melhor: não me quero dar ao  ter medo de falhar, porque isso complica as coisas. E as resoluções, se não forem para cumprir, mas para falhar, de nada servem. Gosto, no entanto, de tentar ser mais o que eu quero ser, tornar-me num eu que me agrade, dia-a-dia. Houve alturas em que não gostei de mim, por não estar onde eu queria e parecer incapaz de dar o passo que era preciso para me encontrar de novo. Hoje, já dei o passo e foi mais fácil do que julgava. Quem sabe, talvez tivesse sido mesmo a altura certa. Talvez, de certa forma, às vezes as resluções nos façam a nós.

Mesmo sem resoluções definidas, os começos de ano parecem-me sempre bons para inícios. São a desculpa perfeita para virar uma qualquer página, para acender uma outra esperança. E é preciso ir acendendo esperanças, ir acreditando que, se começarmos na segunda levaremos tudo avante até sexta. Mesmo que se desista a uma quinta; é o acreditar que, eventualmente, nos leva até ao fim.

Carina Pereira

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