Quase sem querer

acabei por criar um objectivo para 2016.

É raro eu fazer planos no final de cada ano, primeiro porque raramente faço aquilo a que me proponho fazer até ao fim, a não ser que seja uma obrigação e não um prazer, – e os objectivos, sendo feitos por nós, nunca são uma obrigação a que não se pode fugir – segundo porque quando não cumpro um objectivo também não me aborreço muito com isso, nem quero começar a aborrecer-me. O ano é para ser levado da maneira que der, ou corremos o risco de andarmos infelizes por não o conseguirmos levar da maneira que queremos.

Mas, em Novembro passado mudei de casa; agora vivo sozinha e adoro receber pessoas por aqui. A sensação, sempre que toda a gente se vai embora, é a de uma casa desarrumada de alegria. Porque os lanches e jantares deixam pratos na banca e copos sujos, mas deixam principalmente o coração cheio, e é assim que eu sou mais feliz.

No primeiro lanche desse Novembro recebi presentes de boas-vindas à nova casa, entre eles um cheque-prenda para uma livraria. Adoro livros, as pessoas que me deram o presente não me conhecem há muito, mas já entenderam isto, e lá fui eu toda contente trocar o cheque por um livro. Mas, livraria Belga, sem livros em Inglês, deixou-me com poucas opções. Deixou-me, no entanto, talvez com a opção melhor.

Sabem aqueles cadernos de capa de cabedal, que cobiçamos por serem tão bonitos, mas acabam por ser um pouco caros para a função – a escrita desordenada dos nossos pensamentos e histórias? Sempre quis ter um, nunca me atrevi a abrir os cordões à bolsa para tê-lo. Sempre tive medo de o estragar, porque um caderno como esses merece o melhor. Até aqui. Desta vez, porque era uma prenda, peguei no caderno que mais gostei e comprei-o, e decidi logo ali que era tempo de deixar de ter medo de estragar cadernos com gatafunhos. Sim, talvez a capa seja bonita, talvez eu acabe por escrever coisas erróneas nas suas páginas, mas é sempre o conteúdo que conta.

Comprei este, com uma pintura de Claude Monet, Water Lilies, uma carta do pintor escrita a Berthe Morisot entalhada em letras doiradas sobre a pintura, fecho magnético, e um acabamento maravilhoso. Decidi, logo ali, que este seria o meu diário para 2016.

Quando era miúda, e mesmo na adolescência e início da idade adulta, mantinha diários, tenho-os a todos guardados religiosamente, e apesar de ainda escrever os meus sonhos de quando em vez, há mais de quatro anos que não mantenho um registo constante dos meus dias. E é pena, havia muito para contar até aqui, mas talvez tudo me cansasse escrever na altura. O primeiro dia de 2016 foi a desculpa ideal para recomeçar.

Afinal, o futuro está aberto à minha frente, e cada passo é um não saber para onde vou. Assustador, por um lado, mas só os passos que não se conhecem nos levam a novos caminhos. E, estou quase certa, àquelas surpresas que aquecem o coração.

Carina Pereira

 

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s