Dia Mundial Do Escritor

Não podia faltar a esta homenagem, pois não?

Hoje comemora-se o Dia Mundial Do Escritor e não haverá melhor pretexto para recordar os “meus” escritores todos. Os da infância, os da adolescência, e os de agora. Os que passaram mas ainda levo comigo, e os que ficarão para sempre.

Mas esta é também a minha homenagem aos que escrevem porque é parte intrínseca de si próprios, àqueles a quem lhes calaram a escrita porque a verdade é incómoda.

Este é o meu agradecimento a todos, sincero, arrancado lá do fundo do coração. Porque também eu acredito que os livros podem mudar o mundo. Podem, não. Mudam.

*

Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada

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Os livros da colecção Uma Aventura não foram certamente os primeiros livros que li, mas foram o “empurrão” para todo o amor que eu sinto pela literatura.

Em casa de uma prima, tinha eu uns nove ou dez anos, deparei-me com Uma Aventura… No Inverno. Sou uma adoradora de objectos, talvez seja bom começar por dizer isto, e colei-me ao livro por não ser algo que eu tinha em casa de sobejo. Os livros eram caros; tinha apenas duas colecções de histórias infantis e um Atlas já antigo que eu fizera o favor de embelezar – embora o meu pai usasse a palavra estragar para falar do mesmo assunto – com marcadores, quando tinha cinco anos. Este livro, maior do que aqueles com histórias infantis a que eu estava habituada, quase só com letras, chamou-me para ele. E, apesar de eu saber que só me pertence porque eu o amei mais do que o seu primeiro dono, lá o tenho em casa, o meu nome completo escrito na primeira página.

Mudada para uma nova escola aos dez anos, onde já constava uma biblioteca, a cada semana lá trazia eu mais um desta colecção para casa. As gémeas, Teresa e Luísa, o Pedro, o João e o Chico, a par com o Faial e o Caracol, foram as primeiras personagens que me deixaram viver através delas. Devo-lhes quase tudo em que me tornei.

Maria Teresa Maia Gonzalez

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Se Uma Aventura foi a primeira casa, os livros da colecção Profissão Adolescente, foram a segunda. As histórias já não eram de aventuras, mas falavam de adolescentes, como eu. O livro que me lembro melhor é O Tiago Está A Pensar, embora na altura me tivesse feito um pouco de confusão a melhor amiga dele ser assim tão adulta. Gostava do Tiago, mesmo com a sua prepotência, porque o mundo não é assim tão fácil, mesmo quando se tem quinze anos. Especialmente quando se tem quinze anos.

Desta autora comecei, naturalmente, por ler A Lua de Joana. Adorei o livro, na altura, dizia-me tanto! Quando o reli, o ano passado e já adulta, – ou a tentar sê-lo – não gostei lá muito da Joana, afinal.

Fica o conselho: há livros que só os amamos na altura em que nos conseguimos rever neles. Não deixam de ser importantes. Quanto mais não seja, mostram-nos o quanto crescemos e que, às vezes, crescer não tem de ser mau.

João Aguiar

Joao Aguiar

Embora o Clube Das Chaves nunca me tivesse puxado interesse – li um livro ou dois da colecção – e o Os Cinco fosse já de outras eras, o Bando dos Quatro foi uma bela opção quando a colecção de Uma Aventura da biblioteca começou a escassear. Acabei depois por adquirir alguns livros desta colecção também, e adorei cada um deles. Carlos e Álvaro, Frederico e a destemida Catarina, todos com a ajuda do Tio João e do sempre fiel cão Pelópidas, nome a que eu sempre achei um piadão. Cresceram comigo também.

David Mourão-Ferreira

David

Poderia ter trazido, para os poetas, Fernando Pessoa a esta página, mas David Mourão-Ferreira é o autor do poema mais bonito que alguma vez li. Porque tem Ternura dentro dele. e deixa tanta ternura em nós.

Nicholas Sparks

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O meu lado capricorniano cada vez mais empurra para debaixo do tapete a clara lamechice que me acompanha vida fora. Talvez por isso Nicholas Sparks tenha deixado de fazer parte da lista dos favoritos, mas sou incapaz de saber da edição de um novo livro seu sem planear lê-lo. Porque esperei com ansiedade cada livro novo desde os meus quinze anos, parece quase traição deixar de o fazer. Com mais contenção, menos entusiasmo, mas faço-o na mesma.

São romances. Não há nada de errado com romances e, em termos de lamechice, a dele não é tanta assim. Escrevi, eu própria, os meus primeiros romances a sério – lamechas, admito – por tanto gostar das histórias dele. De certa forma, é a base das minhas narrativas. Fico em dívida com ele para sempre, por isso mesmo.

E, admitamos, As Palavras Que Nunca Te Direi e O Guardião – que é um policial fabuloso – não são histórias de amor para envergonhar ninguém.

Nick Hornby

Nick Hornby

Era Uma Vez Um Rapaz e Alta Fidelidade foram os que mais me marcaram, mas devorei vários livros do autor antes de me aperceber que era um nome bem conhecido no mundo da literatura. O último que adquiri foi Slam, bem recentemente, e voltou a relembrar-me porque gosto tanto dele.

Agatha Christie

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Hercule Poirot é, sem dúvida, o meu preferido. Com ele sinto, quase até ao final, que posso também adivinhar o assassino, até que descubro que não, que nunca adivinho.

A história de eleição – que não conta com Poirot – é talvez a mais polémica da autora: A Última Razão Do Crime.

Um dia termino a colecção. Um dia.

Arthur Conan Doyle

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Depois de assistir à nova série da BBC, senti-me no dever de ir à matriz das histórias, e conhecer a fundo o detective que tanto gosto de ver no ecrã. Não desiludiu; Arthur Conan Doyle – conquanto errático nos seus escritos, porque ele odiava a personagem e não estava nem aí – consegue, ainda assim, dilemas fabulosos com desfechos inesperados.

As histórias não cresceram comigo, embora conheça o detective desde sempre, mas merecem destaque nesta publicação, em especial A Aventura de Charles Augustus Milverton, a minha favorita de todas.

Mia Couto

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Ah, Mia Couto. Não consigo pensar em Mia Couto sem pensar em doçura e meiguice, porque as palavras que ele usa para descrever até os episódios mais estranhos, embalam-me o coração. Fiquei rendida logo ao primeiro livro; o primeiro que ele escreveu, o primeiro que eu li: Terra Sonâmbula.

Autores Africanos sempre nos fazem olhar para lá das nossas crenças. O que estou a ler de momento, A Confissão Da Leoa, dá cada vez mais razão a este amor que começou ainda antes de eu lhe conhecer os escritos. Há pessoas de quem gostamos porque as adivinhamos, mais do que as sabemos.

José Eduardo Agualusa

Eduardo Agualusa

Já falei tanto de José Eduardo Agualusa que, me parece, vou acabar por me repetir. Ou talvez isto seja apenas uma desculpa por me quedar sem mais palavras, sem palavras suficientes, para expressar o quanto adoro a sua escrita. Vêem, mesmo as de adoração me soam já a tão poucochinho!

Barroco Tropical, Milagrário Pessoal, ou A Vida No Céu, são histórias que vou levar comigo para sempre, nesta viagem que é a vida. Porque – Agualusa me ensinou – o melhor da viagem é o sonho.

Carina Pereira

Edição: tanto quis dizer, que me faltaram dois dos mais importantes, J.K. Rowling com Harry Potter e Bill Waterson por Calvin & Hobbes. Ah, vale a intenção!

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