Ai Setembro, Setembro

Acho que toda a gente considera Setembro um mês de renovação. As férias acabam, – mesmo que sejam só as dos miúdos – e Setembro vira prenúncio de Outono, de dias mais curtos mas mais acolhedores, para passar a ler livros debaixo dos cobertores e onde se envolve as mãos na caneca quente do chá. Talvez por, não raras vezes, ser ainda um mês quente, este prenúncio de dias mais frios é uma ameaça que raramente se concretiza e, assim, ninguém se importa. Existe em Setembro uma mística qualquer e eu gosto dela. É claro que me apercebi disto, ainda antes de o sentir eu mesma, através de outros: publicações em blogs, no facebook, a lembrarem-me que Setembro começou e que é altura de depositar nele a esperança para o que ainda resta do ano.

Coincidentalmente, decidi hoje retomar a minha rotina de ginásio. Podia ter esperado para a próxima semana, visto que tencionava começar o ginásio mal voltasse de férias e, quando isso não aconteceu, perdida por cem, perdida por mil. Mas, como a Terça-feira é um dia tão bom para começos como qualquer outro – e me exclui à partida os futuros “agora começo na segunda” – lá me fui preparando mentalmente para meter mãos – e principalmente pernas – ao trabalho.

Arrastei-me no ritual; vesti o top, os calções, prendi o cabelo e preparei o saco para sair de casa. Mas, isto de ir ao ginásio e ser rapariga, tem muito que se lhe diga. Sentei-me para me calçar e eis senão quando reparo que as minhas pernas têm andado muito aconchegadas e longe de gilettes e outros aparelhos. De tal maneira que certamente daria para fazer inveja ao meu pai.

Por momentos, e olhando a chuva a cair da janela, pensei que aqui estavam reunidas todas as condições para me decidir a ficar em casa, mas recusei-as todas. Lá fui eu tratar da tosse à penugem de meia perna, não havia pachorra para mais.

Agarrei o saco já com a água, o mp3 e o meu kindle – sim, hoje foi mesmo daquelas vezes que um livro tinha de me acompanhar, para me manter longe da realidade que estava prestes a encarar – e saí. A meio caminho apercebo-me que me tinha esquecido da toalha e, sabendo que não levar toalha não é opção no meu caso, lá faço inversão de marcha e regresso a casa.

Mais uma vez, e com tudo a favor da preguiça e contra o meu treino, podia aproveitar este meu acto falhado, despir a roupa e aconchegar-me com o livro que já ia ler no ginásio, em casa. Mas não, agarrei na toalha e marchei para o ginásio.

E percebi, com surpresa, que a minha vontade é mais forte que qualquer desculpa.

Carina Pereira

bem vindo setembro

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