Blogazine #2

A segunda edição da revista Blogazine, para a qual eu comecei a participar este mês, já está nas “bancas” online. Chegou com um bocadinho de atraso, mas espero que gostem do resultado final. A revista é feita por e para bloggers, com a participação voluntária de todos.

Podem aceder à mesma no segunte link:

Blogazine

O texto que eu escrevi, em conjunto com a Sophie Tudela do blog Words Of Sophie, pode ser encontrado nas páginas 8 e 9 e transcrevo-o abaixo para ser mais fácil de ler.

Carina Pereira

Untitled

Caracolar ou não caracolar, eis a questão!

Gostos não se discutem, diz-se. Os caracóis continuam a ser motivo de discórdia em jantaradas e, embora agradem a muitos, não conseguem agradar a todos. Há quem adore e quem odeie este petisco e são mesmo estas duas visões distintas que se apresentam nos textos abaixo, nas opiniões da Carina, que dispensa bem o petisco, e da Sophie, que não prescinde dele.


O Verão está aí à porta – tímido, é certo, põe os dedinhos de fora e depois, com medo, chama a chuva e adia-se mais um pouco – e com ele vêm as tipicalidades na mesa. Como os caracóis. Escargots, chamam-lhes os franceses, e estampam-se assim os sacos de supermercado, para dar mais lustro à coisa. No fundo, no fundo, francesices à parte, caracóis são lesmas com casa ou, como informa a wikipedia, moluscos gastrópodes terrestres de concha espiralada calcária.

Carapaça, um animal indefeso e flácido lá dentro e muco, muito muco. Questiono-me, quem no seu perfeito juízo, olhou para aquilo e pensou “Hum, isto cozinhado é que era!” e lá tratou de saber se era ou não. Ou se, por outro lado, foi um erro de percurso. Um caracol que caiu numa sopa de pedra e, na ânsia esfomeada de alguém, virou então petisco. Questão ainda mais importante: quem foi o louco que, ao ouvir – certamente com estranheza – a história do primeiro provador, decidiu dar-lhe o benefício da dúvida e conseguiu, ali mesmo, tornar um ser que estava bem contente da sua vida a comer as folhas da alface no quintal, num petisco tradicional em massa?

Não encontrei registos acerca do surgimento deste prato, mas tenho a certeza que os gostos em relação ao mesmo se dividem. Ao contrário de outras coisas típicas de Verão, – como os gelados e as bolas de Berlim – os caracóis são odiados por uns e amados por outros. Só não são amados o suficiente para viverem. Já dizia Sophia de Mello Breyner Andresen que as pessoas sensíveis não matam galinhas, mas gostam de comer galinhas. Neste caso é o contrário; duvido que alguém tenha problemas em matar caracóis, já comê-los…

A minha opinião nisto tudo? Não gosto de caracóis. Ou pelo menos é isso que digo a mim mesma, naquela certeza infantil de quem nunca provou. A ideia de comê-los é repugnante. De loucos.

Agora, se me dão licença, tenho ali sushi à minha espera.

*

Enquanto a Carina vai para o sushi e volta, eu mantenho-me nos caracóis.

Ora pois claro, depois de experimentar não queremos outra coisa, não só pelo facto de serem caracóis, mas pela forma como é feito, aquele molho que dá um sabor tão delicioso que é de cortar a respiração. Pensam que não? Por isso é que 90% das tascas não sabem fazer caracóis, porque tem aquele truque que quase ninguém sabe.

O molho é bastante importante para um prato de caracóis! E quando vem acompanhado com torradas? Oh meu Deus! E aquele pequeno momento de prazer em que molhas as torradas naquele molho, até me babo toda!

Vocês podem pensar que é super nojento, peganhento, mole, castanho, e andam no chão… É verdade, têm toda a razão! Mas um caracol para que se coma não pode ter ranho.  Primeiro é lavado em água a ferver, e segundo eles não são porcos quando estão vivos, andam sempre em sítios limpos e mais propriamente na erva.

Portanto, cada um tem a sua panca de verão. Todos nós gostamos de comer um bom gelado, mas há quem goste também de estar numa esplanada todo esticadinho da vida a comer um excelente prato de caracóis e a beber uma imperial (ou umas minis que também serve.)

Aconselho toda a gente a experimentar caracóis! Então, não é em vão que até existe o creme da baba de Caracol! Bom para a pele, bom para a papilas gustativas! É o rei do Verãol!

Carina Pereira e Sophie Tudela


Por decisão dos autores este texto não se encontra escrito segundo o novo acordo ortográfico.

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