Nas Linhas Em Que Me Escrevo #2

O segundo caderno desta rubrica dominical – já estou a falar como o padre da minha aldeia! – foi comprado há muitos anos e mantém a sua intenção original. Ainda o uso, embora não com a mesma frequência. Quando somos adolescentes temos tempo e pachorra para muitas coisas. Hoje em dia quase me esqueço dele, mesmo quando a oportunidade de o usar se apresenta.

E qual é a sua função, perguntais vós? Este caderno foi quase uma idea roubada de um filme, baseado num livro de Nicholas Sparks. No filme, Um Momento Inesquecível, uma das personagens principais, Jamie, guarda um livro que pertencera à sua mãe, onde ela apontava as suas frases favoritas, e é isso mesmo que eu faço com este caderno. Quando vejo um poema que gosto muito, ou uma frase de um livro que me toca, eu pego no caderninho e lá a aponto. Às vezes vou revê-las, e volto sempre a sorrir.

A primeira entrada é o meu poema favorito, de David Mourão-Ferreira. Partilho-o aqui.

Carina Pereira

*

Ternura

Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada…

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio…

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo…

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!
*
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2 thoughts on “Nas Linhas Em Que Me Escrevo #2

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