António Zambujo, A Colecção

Quando me deparei com as músicas do António Zambujo pela primeira vez, a modos que fui sugada para uma espiral de adoração, de tal forma que, presa não só às letras e melodias mas, sobretudo, à emoção que ele dá a cada música, não tive outro remédio senão me tornar fã do homem. Eu não o escolhi, ele escolheu-me a mim. É assim a vida, às vezes.

Isto para dizer que esta colecção tem razão de ser e só não foi publicada aqui mais cedo porque, quando finalmente recebi o último álbum que faltava para a completar, – Fado i Nord – me esqueci completamente de o fazer. Mas aqui está, sem deixar margem para dúvidas, completa na melhor das minhas capacidades (o primeiro álbum, O Mesmo Fado, já não está disponível para edição, de maneira que a única versão que consegui encontrar foi uma ainda disponibilizada pela Amazon, que não é a edição original do disco.)

Agora só nos resta esperar que o António Zambujo coloque a voz aqui na Bélgica para eu, com jeitinho, lhe pedir para assinar os álbuns todos.

Ah, falta a crítica aos álbuns: 10/10. Para todos e qualquer um.

Seja no Fado ou na música do mundo, ou até em versões de músicas Brasileiras, – fiquei radiante em saber que ele vai editar um disco com músicas de Chico Buarque – António Zambujo nunca desaponta.

Um resquício de sotaque Alentejano, tremolos com abastança e a doçura muito própria que coloca em cada interpretação, aliam-se às letras que passam – entre outros – pelas mãos de João Monge, Maria do Rosário Pedreira e até mesmo de José Eduardo Agualusa. Os sons tradicionais da guitarra clássica, guitarra Portuguesa e do contrabaixo, fundem-se com os clarinetes e trompetes e renovam até o Fado, dando a certeza de que não há mal em reinventá-lo.

Zambinhas Rodeia é do melhor que há.

Carina Pereira

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7 thoughts on “António Zambujo, A Colecção

  1. teresa diz:

    Wow, bela colecção! E uma muito fiel descrição da música do Zambujo, é isso mesmo.
    Só tenho dois dele, o ao vivo, que ganhei num passatempo, e o Guia, que é sem dúvida o meu preferido. Não acredito que ele ainda não foi aí à Bélgica… Ele que anda um bocadinho por todo o mundo, com certeza não faltará muito para esse vosso encontro acontecer 😀
    Já o conheci e garanto que é uma simpatia!

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    • contadordestorias diz:

      Eu adoro Fado mas admito que os Cds do Zambujo de que gosto mais são aqueles onde ele se desvia um pouco das raízes… O Quinto e Rua Da Emenda são os meus favoritos, embora não consiga decidir qual dos dois gosto mais.
      Ele esteve cá o ano passado mas eu não soube! Por isso espero mesmo que ele passe por aqui. Eu mandei os meus pais irem vê-lo à Póvoa de Varzim e até a minha mãe, que do dois nem era a maior fã, anda agora a ouvir sempre o “Pica do 7.”
      Já ouvi concertos dele ao vivo através de rádio, e vi um em França que foi transmitido online e adoro o humor muito peculiar dele. Acho que ele passa uma imagem assim mais para o sério mas, na verdade, é muito descontraído. Por isso acredito que ele tenha sido simpático! (E que sorte que tens! Eheh)

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      • teresa diz:

        Eu não sou tanto fã do fado “puro”, conheci-o já nesta nova fase e, apesar de também gostar dos grandes clássicos, o que mais me entusiasma são trabalhos que o andam a reinventar. O Desfado, da Ana Moura, por exemplo! Do Zambujo prefiro o Guia por aquela onda mais bossa nova, os sopros… não sei. Mas também adoro o Quinto! O Rua da Emenda, exceptuando uma ou outra belíssima canção, já começa a ser muito repetitivo para o meu gosto. Estou muito curiosa para ouvir novas coisas diferentes, como esse disco de versões de Chico Buarque!
        Que má sorte! Eu já o vi ao vivo duas vezes e sim, ele é mesmo muito engraçado e descontraído, mas quando canta, canta a sério! Mas olha que ele é muita maroto… ahahah :p

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      • contadordestorias diz:

        Concordo. Consigo ver génio nas composições de Alfredo Marceneiro, por exemplo, mas em termos de interpretação não consigo gostar da voz dele. E, regra geral, para gostar de um cantor a voz também é muito importante, mesmo que seja um artista completo em tudo o resto. Adoro a Ana Moura e acho também que o “Não é Um Fado Normal” dela é outro exemplo de que, mesmo com umas gaitas de foles lá para o meio a coisa corre bem se a essência – que é dar-lhe interpretação de Fado – se mantiver. não que eu perceba muito de Fado, ou de música em geral, sou treinador de bancada! 😀
        o Zambujo disse que agora era tempo de renovação, por isso devemos contar com coisas novas nos próximos discos. Acho que o que gosto mais no Rua Da Emenda até é o facto de as letras serem quase todas castiças.
        Pois, pelo que já tive oportunidade de ver, ele é o que nós no Norte chamamos de um “brinca na areia!” Mas gosto muito do humor brincalhão dele! 🙂 E, mesmo sem o ter visto ao vivo, parece-me que ele dá um espectáculo do catano!

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      • teresa diz:

        Exacto, entendo perfeitamente o que dizes.
        Sim, acho que, como o Fado vai muito para além da música, quando se tenta aplicá-lo a outros géneros e outras formas acaba sempre por ficar interessante. Como quando a Ana Moura cantou com os Rolling Stones :p
        Ah lá isso dá, ele e os músicos que o acompanham são fantásticos. Espero que não falte muito até o poderes ver ao vivo também 🙂

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