Ai Margarida

Morremos tantas vezes sem ser senão poesia e é quando mais vivos nos sentimos.

Há coisas que são tão boas que temos de partilhá-las e esta música, cujo vídeo aqui vos deixo, é uma delas. Aliada à intrepretação do Camané – um dos meus favoritos, se ainda não tinham dado conta – é magia.

As primeiras vezes que escutei a música nem lhe dei uma oportunidade que fosse, pois achei-a lenta demais para me agarrar a atenção, – tenho um amor especial por fados corridinhos e com letras castiças – mas esta semana ouvi-a com atenção e pronto, lá encontrou um lugarzinho no meu peito e dali não sai.

A letra, de Fernando Pessoa (por Álvaro de Campos em estado de inconsciência alcoólica,) dá-nos logo a sensação de estarmos a ver uma história a correr à frente dos nossos olhos, com cheiro a flores de campo por entre ruas estreitas, olhares malandros e sorrisos atrevidos, num vai-e-vem de palavras que anuncia o galanteio. A interpretação de Camané, que amalgama a melancolia típica do fado com a mensagem ligeira da letra, é tudo o que esta fábula poderia pedir.

“Ai Margarida,

se eu te desse a minha vida,

que farias tu com ela?

– Escrevia uma canção assim

Aprendia a amar, por fim

E bordava o meu fado na tua lapela.”

Carina Pereira

in “Crónicas Ao Acaso”

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