Tum, tum, tum, posso entrar?

Entre os meus quinze e os meus vinte e um anos tive uma época bastante produtiva em termos de escrita. Embora sempre tenha escrito – em criança, mesmo na escola primária, escrevia já pequenas quadras – estes anos foram o pináculo das minhas “criações literárias” (estou obviamente a ser indulgente ao chamar-lhes isto.)

Aos dezasseis terminei a minha primeira narrativa extensa: uma história do género novela – ao estilo Nicholas Sparks, vá – que tem uma tragicidade mais do que exagerada. Ao fim de cento e tal páginas A4 (quase) toda a gente morria. Eu sempre tive queda para o drama nas histórias que escrevia. Para o exagero também.

Algum tempo mais tarde escrevi outra história que seguia a mesma linha de escrita, que já ocupou duzentas e tal páginas A4, e cuja qualidade – e drama – eram consideravelmente melhores. Sei-o porque li-a de novo há pouco tempo e não me encolhi com embaraço tanto quanto estava à espera. A história tem muitos clichés, é certo, e a sua dose de drama também, mas para quem a escreveu para aí com dezoito anos e com uma mentalidade diferente da que tenho hoje, não está assim tão má, no meu ponto de vista. Não é algo que publicaria fosse onde fosse neste momento, mas faz-me ter um bocadinho de orgulho do meu eu de há dez anos atrás.

(Dez? Já passaram assim tantos?)

Depois – e entre – essas escrevi outras histórias mais pequenas, mas aos vinte e um deixei mesmo de escrever. Até poemas deixaram de aparecer nas páginas dos meus blocos de notas. Nada. Niente. Nix.

Há três anos atrás, quando me mudei para a Bélgica, descobri a beleza da internet quando usada em nosso favor (em Portugal os meus pais nunca instalaram internet, e por isso eu não a usava com regularidade na altura porque tinha sempre de aceder a ela fora de casa, com tempo contado.) Descobri também como usar o Tumblr e, sendo uma grande fã de Sherlock Holmes, a fanfiction arrebatou-me. Escrevi várias histórias, para todos os gostos. Fiz parte de trocas de prendas – eu escrevia, alguém desenhava para mim – e até participei num concurso de pequenas histórias (das cinco categorias eu ganhei três – nada mau!) Mas escrevia em Inglês, todas essas narrativas. Uma delas ultrapassou as 80.000 palavras. Outra tem 50.000 e teve de ser escrita num mês. É talvez a fanfic de que mais me orgulho, um policial.

Histórias em Português é que pararam. Vivendo num país estrangeiro a língua mãe sabe melhor, porque sabe a casa. Por isso criei este blog para escrever somente em Português. E a verdade é que a inspiração tem surgido. Poemas, letras, pequenos contos. Vou devagar, mas vou andando.

Ontem tive uma ideia para uma história mais longa, original, com personagens e situações imaginadas por mim. Escrevi menos de 1.000 palavras, mas sei onde quero levar a história, e gostava de concluí-la. Acho que tenho mais maturidade para conseguir escrever alguma coisa e gostar ainda dela daqui a alguns anos. A ver vamos.

Vou deixando aqui alguns excertos da história, sem revelar muito o seu conteúdo, porque não sei se consigo fazer chegar isto a bom porto.

A história chegou e pediu-me: tum, tum, tum, posso entrar? Agora vamos ver se descobre o caminho e toca o sino.

Carina Pereira

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2 thoughts on “Tum, tum, tum, posso entrar?

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