De Mãos Vazias

Quando o vento sussura segredos às folhas,

E o orvalho escorre pela relva acabada de cortar

É quando o meu coração toca mais forte.

Quando uns olhos inchados de sono me dão bom-dia,

Com cheiro a champô e a café da manhã,

É quando me sinto maior do que a morte.


Vou catalogando livros em pilhas desordenadas,

E cheirando as páginas de um dia novinho em folha,

E o meu coração está contente.

Saio à rua, não conheço ninguém,

Mas no entrelaçar de mãos à minha volta,

Eu sinto que pertenço a esta gente.


Quando os grilos cantam numa noite de Verão,

E a terra onde planto os meus sonhos é fértil

De afectos e saudades bem matadas

É que o coração se encaixa perfeito no peito,

E de mãos vazias me apercebo:

Não preciso de mais nada.

Carina Pereira, 8 De Janeiro De 2015

in “Raízes”

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